intenção
Você faz boa companhia quando ninguém aparece
@snowlinen Narrated by Freddie Rock 2:24 25 shots
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Hoje ninguém vem e o dia ainda é seu. Essa frase pode soar de duas formas bem diferentes, dependendo do que você fizer com a próxima hora. Há uma luz comprida no chão. O prédio faz seus pequenos ruídos. Essa é a matéria-prima, e ela não falta em nada.
Um livro com um recibo servindo de marcador. A chaleira encontrando seu meio-termo barulhento. Os pássaros lá fora, extremamente ocupados com absolutamente nada. Uma cadeira que já tomou a sua forma ao longo de uns dois anos.
Você aprendeu a ler um dia vazio como uma sentença. Essa leitura causa dano, e ela está errada, não apenas é injusta, o que significa que pode ser corrigida, não apenas suportada. Solidão escolhida e solidão sofrida produzem o mesmo silêncio, mas significam coisas completamente diferentes, então o sentimento chega sem rótulo e você acaba dando um por costume. Se você repete o rótulo mais duro com frequência, uma tarde livre comum passa a custar algo que nunca teve. As horas não são o problema. É a frase que você coloca sobre elas.
Teste isso com sua própria experiência. Existem horas que você passou sozinho e que não trocaria por nada, caminhando por aí, fazendo alguma coisa, lendo até tarde, e elas tinham a mesma forma das horas que doeram. A diferença nunca foi o número de pessoas na sala, foi se você tinha escolhido aquilo. Então a solução não é companhia, é escolha, e escolher está disponível agora mesmo, sem custo para ninguém. Uma tarde que você escolheu é uma coisa diferente de uma tarde que simplesmente aconteceu com você, mesmo que o relógio não saiba diferenciar.
Então hoje você separa uma hora e a dedica a algo que faria de bom grado com um amigo. O café bom, a caminhada longa, o filme que você vive adiando. Feito de propósito, como um plano, não como um jeito de preencher o tempo até alguém ligar.
A hora vai parecer sua porque será. Esse é todo o truque, e ele resiste a cada tarde vazia que vier depois dela.