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intenção

Eu faço algo com as mãos

@quietforest Narrated by Frank York 2:32 27 shots

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Minhas mãos estão ocupadas e minha cabeça ficou quieta de um jeito que ela não conseguiu a semana inteira. Vou fazer isso de propósito de agora em diante, em vez de tropeçar nisso uma vez por estação e me surpreender com o quanto funciona bem. Não é um humor que chegou. É uma coisa que eu fiz, e coisas que eu faço podem ser repetidas. Vinte minutos com as mãos fizeram o que uma semana inteira tentando pensar até a calma não conseguiu.

Tem alguma coisa sob os meus dedos com textura de verdade. Uma sujeirinha na mesa. Nada aqui precisa de senha, nada aqui tem notificação, e nada aqui vai se atualizar durante a noite para uma versão levemente pior de si mesmo. Minhas mãos sabem o que estão fazendo um pouco antes de mim.

Tudo que eu faço ultimamente é feito de pixels e desaparece quando a tela apaga. Não notei que isso importava até importar, e aí importou muito e de uma vez só. Existe diferença entre trabalho que deixa um rastro e trabalho que deixa apenas um registro, e eu venho vivendo quase inteiramente do segundo tipo. Um dia inteiro disso pode parecer que nada aconteceu, mesmo quando muita coisa aconteceu, porque não sobra nada de pé na sala depois para provar. Venho terminando dias sem conseguir apontar para nada.

Fazer alguma coisa física usa uma parte de mim que nada mais alcança. Não precisa ser boa. Precisa ser real e estar nas minhas mãos. A razão de isso funcionar não tem nada de místico. Minha atenção finalmente ganha um lugar para ir que não é uma tela nem os meus próprios pensamentos, e acontece que boa parte do que eu venho chamando de estresse é simplesmente atenção sem lugar útil para pousar. Basta dar um trabalho a ela e ela para de circular.

Então dou vinte minutos a alguma coisa física, sem tela nenhuma por perto. O que estiver à mão vale. Pão, uma planta, uma coisa quebrada, um lápis, uma parede que precisa de tinta. O critério não é qualidade e não é utilidade. O critério é que aquilo exista na sala quando eu terminar.

Existe uma coisa que não existia de manhã, e fui eu que fiz. É uma boa coisa para terminar um dia.