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RELACIONAMENTOS · CONFLITO E REPARAÇÃO

Os quatro hábitos que preveem um rompimento, e o que fazer no lugar

Os quatro hábitos que indicam risco de rompimento são crítica, desprezo, defensividade e o silêncio como muro, e são hábitos, não defeitos de caráter. Décadas observando casais reais discutindo revelaram o padrão: não é o quanto vocês brigam que prejudica a relação, é o como. Veja como identificar isso em você mesmo, e o que funciona melhor.

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Casal sentado perto da água

Foto de Priscilla Du Preez 🇨🇦 no Unsplash

Se você está em crise ou pensando em se machucar, você não está sozinho. Nos EUA, ligue ou mande mensagem para 988 (Suicide & Crisis Lifeline, 24/7), mande HOME para 741741 (Crisis Text Line), ou ligue para 911 em uma emergência. Em qualquer lugar do mundo, o findahelpline.com lista linhas de apoio gratuitas e confidenciais no seu próprio país e no seu próprio idioma. Se você estiver em perigo imediato, ligue para o número de emergência da sua região.

Imagine uma briga qualquer. A louça não foi guardada, de novo, e um de vocês comenta alguma coisa. É uma coisa pequena. Mas em algum ponto dos próximos dois minutos a conversa deixa de ser sobre louça e passa a ser sobre quem vocês dois são. As vozes mudam. As expressões mudam. Um fica frio e calado, o outro insiste, e os dois vão dormir se sentindo um pouco mais estranhos um para o outro.

Todo casal tem noites assim. A verdade dura é que alguns padrões de briga, repetidos com frequência, fazem mal de verdade a um relacionamento, e pesquisadores conseguem identificá-los.

O psicólogo John Gottman passou anos num pequeno laboratório montado como apartamento na Universidade de Washington, gravando casais enquanto conversavam sobre seus desentendimentos. A equipe dele registrava expressões, palavras, batimentos cardíacos. Depois acompanharam esses mesmos casais por anos para ver quem continuava junto e quem não continuava. De todas essas gravações, quatro hábitos específicos se destacaram como os que apareciam com mais frequência em relacionamentos a caminho do fim. Gottman deu a eles um nome dramático, os Quatro Cavaleiros, e o nome pegou porque os padrões são fáceis de reconhecer assim que você sabe o que procurar.

A boa notícia por trás disso tudo: são hábitos, não defeitos de caráter. Hábitos podem ser trocados por outros melhores. Vamos passar por cada um deles e depois dedicar um tempo de verdade ao que fazer no lugar.

Hábito um: crítica

Existe uma diferença entre uma reclamação e uma crítica, e vale a pena ser preciso sobre isso.

Uma reclamação é sobre algo que aconteceu. "Fiquei preocupado quando você não mandou mensagem avisando que ia se atrasar." Uma crítica pega esse mesmo momento e aponta para a pessoa. "Você nunca pensa em ninguém além de você mesmo." Uma é sobre um fato. A outra é um julgamento sobre quem a pessoa é.

As palavras *sempre* e *nunca* são um sinal de alerta. Assim como o deslize de "isso me incomodou" para "tem algo errado com você". Todo mundo critica de vez em quando, e um comentário duro não vai acabar com nada. O perigo é quando isso vira o padrão, o canal por onde toda discordância passa.

Hábito dois: desprezo

Dos quatro, esse é o que merece mais atenção. Na pesquisa de Gottman, o desprezo foi o indicador mais forte de que um relacionamento estava caminhando para o fim.

Desprezo é crítica com nojo misturado. O revirar de olhos. O deboche. A ironia feita para machucar. Zombaria, apelidos maldosos, falar com o parceiro de um jeito que você jamais deixaria alguém falar com um amigo seu. Por baixo disso existe uma postura de olhar para o outro de cima, tratando-o como inferior em vez de como alguém ao seu lado.

Faz mais estrago do que qualquer outra coisa porque é o oposto de afeto e respeito, e o corpo sente isso. O desprezo diz ao parceiro que você parou de estar do lado dele. Poucas coisas corroem o amor tão rápido.

Hábito três: defensividade

Esse parece completamente razoável quando é você que está vivendo, e é exatamente por isso que ele gruda tanto.

Quando você se sente atacado, se defende. Explica por que a culpa não foi sua, aponta o que o outro fez primeiro, responde uma reclamação com outra reclamação. Parece autoproteção. Para o parceiro, soa como uma recusa a ouvir, uma mensagem silenciosa de que o problema é todo dele.

A defensividade é, na verdade, um jeito de culpar o parceiro enquanto parece que você só está se defendendo.

O problema é que isso nunca acalma a situação. Diz ao outro que a preocupação dele não conta, então ele fala mais alto, e agora os dois estão se defendendo e ninguém está ouvindo.

Hábito quatro: fechamento (stonewalling)

O quarto hábito é o que parece não ser nada. O muro sobe. Um dos parceiros para de responder, desvia o olhar, fica em silêncio, talvez saia da sala. De fora pode parecer frieza ou até crueldade.

Geralmente não é. O fechamento costuma acontecer quando a pessoa está tão fisicamente sobrecarregada, coração disparado, sistema em pane, que simplesmente não consegue absorver mais uma palavra. Desligar é uma tentativa desesperada de estancar a enxurrada. O problema é que o parceiro que ficou falando sozinho se sente abandonado, e tende a insistir ainda mais, o que sobrecarrega ainda mais quem se fechou. E o ciclo se repete.

Como esses quatro se alimentam entre si?

Raramente aparecem sozinhos. Costumam chegar em sequência, um puxando o outro.

Muitas vezes começa com a crítica. A crítica, repetida, azeda e vira desprezo. O desprezo provoca defensividade, porque quem não se defenderia diante do desdém? E quando se defender não muda nada, alguém finalmente se fecha e desliga. O que começou com uma louça não guardada virou um ciclo que gira sozinho, e o problema original nem chegou a ser discutido de fato.

Enxergar o ciclo é o primeiro passo real. Você não consegue interromper um padrão que não sabe nomear. Quando conseguir dizer para si mesmo, no momento, *ah, isso é o do desprezo,* você já criou um pequeno espaço para agir diferente.

O que fazer no lugar?

O laboratório de Gottman não apenas catalogou o que destrói relacionamentos. Eles estudaram casais que brigam e continuam felizes juntos, e esses casais não eram livres de conflito. Discutiam bastante. Só tinham um conjunto diferente de atitudes. Para cada hábito destrutivo, existe uma reação mais saudável.

Em vez de crítica: comece com suavidade e diga o que você precisa

O jeito como uma conversa começa costuma decidir como ela termina. Um começo áspero quase garante um final áspero.

Então comece falando do que você sente e do que gostaria, usando "eu" em vez de "você". Não "você nunca ajuda em nada aqui em casa", mas "estou exausto, e ia adorar uma ajuda na cozinha hoje à noite". A mesma necessidade, uma porta completamente diferente. Uma coloca o parceiro na defensiva antes mesmo de você terminar a frase. A outra convida ele a entrar.

Em vez de desprezo: construa o hábito da valorização

O desprezo cresce num terreno abandonado. O antídoto não é algo que você faz no meio da briga. É algo que você constrói nos dias comuns, notando e dizendo em voz alta o que você valoriza na pessoa ao seu lado.

Gottman chama isso de "pequenas coisas, com frequência". Um obrigado sincero. Reconhecer algo que você admira. Um carinho gratuito, sem motivo aparente. Casais que fazem isso regularmente constroem uma reserva de boa vontade, e quando o conflito chega, tendem muito mais a interpretar o outro com generosidade. A pesquisa dele aponta uma regra aproximada: em relacionamentos estáveis e felizes, os momentos positivos superam os negativos numa proporção de cerca de cinco para um. A meta não é nunca ter um momento ruim. É manter os momentos bons bem à frente.

Em vez de defensividade: assuma uma parte

Você não precisa aceitar a acusação inteira. Só precisa encontrar a parte que é justa e assumi-la, com sinceridade.

"Você tem razão, eu esqueci mesmo, e entendo por que isso te frustrou." Só isso. Parece vulnerável, quase como perder. Na prática acontece o contrário, porque no momento em que o parceiro se sente ouvido, a tensão da discussão cai. A defensividade joga lenha na fogueira. Um pequeno e honesto "é, essa parte foi minha" apaga o fogo.

Em vez de fechamento: peça uma pausa de verdade

Se você sentir que está sobrecarregado, coração acelerado, mente em branco, vontade de fugir, ficar calado fingindo escutar não vai ajudar ninguém. Nomeie o que está sentindo e peça uma pausa.

Diga algo como: "eu quero resolver isso, mas estou agitado demais para pensar direito. Podemos parar por vinte minutos e voltar a conversar depois?" Os vinte minutos importam. É mais ou menos o tempo que um corpo sobrecarregado precisa para se acalmar de verdade. E faça algo genuinamente relaxante nesse intervalo, uma caminhada, música, respiração lenta, não fique repassando mentalmente o quanto o outro está errado. Depois, volte. A promessa de voltar é o ponto principal. A pausa é uma forma de continuar na conversa, não de fugir dela.

Quando buscar ajuda?

Muitos casais conseguem mudar esses padrões sozinhos assim que passam a enxergá-los. Outros não conseguem, e isso não é fracasso. Se a mesma briga continua se repetindo por mais que você tente mudar, se o desprezo virou o ar que vocês respiram, ou se um dos dois já desistiu por dentro, um bom terapeuta de casais pode ajudar de formas que um artigo sozinho não consegue. Abordagens baseadas nessa pesquisa, incluindo a terapia pelo método Gottman e a terapia focada na emoção, já ajudaram muitos casais a encontrar o caminho de volta.

Também existe uma linha mais dura que vale nomear com clareza. Tudo o que foi falado aqui é sobre conflitos comuns entre duas pessoas que, no fundo, se sentem seguras uma com a outra. Se em algum momento você sentir medo do seu parceiro, se houver intimidação, controle, ou qualquer tipo de violência física ou sexual, isso não é um problema de comunicação para negociar, e não é algo que você precise resolver sozinho. Procure uma linha de apoio a vítimas de violência doméstica ou um profissional que possa te ajudar a pensar na sua segurança. Você merece se sentir seguro com a pessoa que ama.

E se alguma coisa aqui trouxe à tona um peso que parece maior do que o próprio relacionamento, do tipo que te acompanha para o resto da vida, por favor, converse com um médico ou terapeuta. Você não precisa resolver isso sozinho.

A maioria dos relacionamentos não termina numa explosão dramática. Eles se desgastam por meio de milhares de pequenas trocas que, aos poucos, deixaram de ser gentis. O que também é a parte esperançosa. A reconstrução acontece do mesmo jeito, uma conversa melhor de cada vez, começando pela próxima.

Fontes

  1. The Gottman Institute, The Four Horsemen: Criticism, Contempt, Defensiveness, and Stonewalling
  2. The Gottman Institute, The Four Horsemen: The Antidotes
  3. Psychology Today, Antidotes for the 4 Strongest Predictors of Divorce

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