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PAQUERA E AMOR NOVO · COMPROMISSO

A conversa de definir a relação sem o pavor

A conversa de "afinal, o que a gente é?" fica menos assustadora quando você percebe que o medo é da incerteza, não de ouvir um não. Você gosta dessa pessoa. Não sabe onde isso vai dar, e essa dúvida já começou a doer. Aqui está um jeito mais gentil e mais claro de fazer a pergunta que não te deixa dormir, e de lidar com qualquer resposta que vier.

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Um homem e uma mulher sentados a uma mesa com taças de vinho

Foto de Bohdan no Unsplash

Três semanas. Talvez três meses. As coisas estão bem, na maior parte do tempo, e então você guarda o celular e um pensamento frio e pequeno aparece: o que a gente é, na verdade? Você não pergunta. Diz a si mesmo que é cedo demais, ou que vai parecer necessitado, ou que tocar no assunto vai estourar a bolha. Então espera. E essa espera se transforma num zumbido baixo de preocupação que te acompanha o dia inteiro.

Essa conversa já tem até nome. Em inglês chamam de DTR, "define the relationship", ou seja, definir a relação. É a conversa em que você para de adivinhar e diz em voz alta o que quer que isso seja. Quase todo mundo tem medo dela. Vale entender esse medo, porque quando você vê o que está por trás dele, a conversa fica muito menos assustadora.

Por que a incerteza é a parte mais difícil?

Aqui vai algo que surpreende muita gente. O medo não é bem de ouvir um não. É de não saber.

Existe uma linha forte de pesquisa sobre o que os psicólogos chamam de intolerância à incerteza, a dificuldade que algumas pessoas têm de conviver com uma pergunta aberta. Quando o cérebro não consegue prever o que vem a seguir, ele não fica neutro. Ele tende a preencher esse vazio com a versão pior possível e tratar esse palpite como verdade. Uma revisão na revista *Neural Plasticity* descreve como a incerteza sobre um acontecimento futuro prejudica nossa capacidade de esperar com calma, o que nos leva a exagerar tanto a probabilidade de um resultado ruim quanto o tamanho desse resultado. O desconhecido assusta justamente porque é desconhecido.

É por isso que um vago "vamos ver como as coisas vão" pode pesar mais do que uma resposta clara que você não queria ouvir. Seu sistema nervoso prefere um fato concreto a uma questão em aberto. Então, quando você finalmente pergunta, não está arriscando sua paz de espírito. Na verdade, está protegendo ela. Você está trocando o gotejar lento da incerteza por algo em que pode realmente se apoiar.

Antes de dizer qualquer coisa

Um bom momento e um pouco de honestidade com você mesmo já fazem quase todo o trabalho. Algumas coisas para resolver na sua própria cabeça primeiro.

Saiba o que você está realmente pedindo. "Pra onde isso está indo?" é uma pergunta difícil de responder porque, na verdade, não é bem uma pergunta, é uma preocupação disfarçada de pergunta. Seja específico consigo mesmo. Você quer parar de ficar com outras pessoas? Quer um rótulo pra isso? Quer saber se essa pessoa vê um futuro, ou só se vocês estão na mesma página quanto a este mês? Você não precisa querer um anel. Mas precisa saber o que você mesmo está pedindo.

Escolha um momento em que os dois estejam calmos. O Gottman Institute, que passou décadas estudando como os casais realmente conversam, recomenda deixar as conversas importantes para momentos em que as emoções já se acalmaram, nunca no calor do momento, e nunca enquanto alguém está de saída porta afora. Não abra essa conversa por mensagem à meia-noite ou num bar cheio. Uma caminhada tranquila, uma manhã sem pressa, um trajeto de carro. Um lugar onde os dois consigam pensar.

Solte o roteiro em que você controla o final. Você pode escolher como vai se apresentar nessa conversa. Não pode escolher o que a outra pessoa quer. Decidir de antemão que você vai ficar bem de qualquer jeito, mesmo que "ficar bem" leve alguns dias, retira uma pressão surpreendente da sala.

Como dizer isso, na prática?

O objetivo é ser simples e caloroso, não um tribunal. Você não está entregando um ultimato, nem pedindo desculpas por ter necessidades. Está dizendo a verdade e convidando a outra pessoa a fazer o mesmo.

O trabalho de comunicação do Gottman aponta para uma estrutura simples e sólida: comece pelo que você sente e pelo que você quer, em vez de partir do que a outra pessoa fez de errado. A fórmula é algo como *eu sinto ___, e eu gostaria de ___.* Isso evita que a outra pessoa entre na defensiva, porque ninguém está sendo acusado de nada.

Então, em vez de "então a gente vai ficar sério ou não?", tente:

  • "Eu gosto muito do que está acontecendo entre nós, e percebi que quero algo mais definido. Podemos falar sobre como cada um de nós vê isso?"
  • "Quero ser honesto com você. Estou buscando um relacionamento, não algo casual, e gostaria de saber se isso é o que você também quer."
  • "Não precisa responder agora. Só não quero continuar adivinhando, prefiro saber do que ficar imaginando."

Depois vem a habilidade mais difícil: escutar a resposta que realmente veio, não aquela que você ensaiou no caminho até lá. As pessoas do Gottman resumem bem: escute para entender, não para responder. Deixe a pessoa terminar de falar. Resista à vontade de suavizar o próprio pedido no instante em que sentir uma hesitação. Alguns segundos de silêncio são normais. Deixe a verdade respirar um pouco.

Uma pequena mudança de perspectiva que ajuda no momento: você não está fazendo um teste para ser aprovado. Você está descobrindo se duas pessoas querem a mesma coisa. Essa é uma informação de que os dois precisam, e você está sendo generoso ao trazer isso à tona.

E se a resposta não for a que você queria?

Às vezes você pergunta, e a outra pessoa não quer o que você quer. Isso dói. Pode doer bastante. Mas repare no que você ganhou. Você não vai mais gastar semanas em torno de uma pergunta que, no fundo, já tinha sido respondida.

A American Psychological Association observa que os casais que duram não são os que nunca discordam. São os que lidam com momentos difíceis sem gritar, sem se rebaixar um ao outro e sem simplesmente fechar a conversa e ir embora. Uma conversa desse tipo é uma espécie de pequeno teste para exatamente isso. A forma como alguém trata você quando você pede clareza, se essa pessoa responde com honestidade também ou fica fria e escorregadia, diz muito sobre como seria continuar. Um não gentil e claro é um presente. Um caloroso "eu também" é ainda melhor. Uma resposta vaga também é uma resposta, mesmo que seja a que dói.

Seja qual for o retorno, você fez a coisa corajosa. Disse o que era verdade e pediu o que precisava. Isso é um músculo, e ele fica mais forte a cada vez que você o usa.

Se o medo for maior do que o momento pede

Para algumas pessoas, o medo em torno dessa conversa é mais alto do que a situação exige. Um aperto de pânico só de pensar em ser visto de verdade, a certeza de que querer alguma coisa vai fazer você ser abandonado, um padrão de ficar em silêncio relacionamento após relacionamento até que o ressentimento fale por você. Se isso parece familiar, talvez a questão não seja tanto sobre essa pessoa e mais sobre uma história antiga que você carrega para dentro do amor.

Isso é algo bom para levar a um terapeuta. Não porque haja algo de errado com você, mas porque esses padrões podem ser trabalhados, e você não precisa desenrolar isso sozinho. Se a ansiedade já saiu do namoro e passou a afetar seu sono, seu apetite ou seu bem-estar no dia a dia, também vale conversar com um médico ou um psicólogo. Querer clareza vindo de outra pessoa é saudável. Aprender a dar um pouco dessa clareza a si mesmo, independentemente da resposta que vier, talvez seja a parte que muda tudo.

Você tem o direito de querer o que quer. Dizer isso em voz alta é como você encontra as pessoas que também querem o mesmo.

Fontes

  1. American Psychological Association, Happy couples: How to keep your relationship healthy
  2. The Gottman Institute, Effective Communication in a Relationship: 5 Ways to Communicate Better
  3. Neural Plasticity (PubMed Central), From Uncertainty to Anxiety: How Uncertainty Fuels Anxiety in a Process Mediated by Intolerance of Uncertainty

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