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Energia e recuperação

Aprender a ouvir o seu corpo (e a de fato confiar nele)

O seu corpo manda sinais o dia todo, sobre cansaço, fome, tensão, e a diferença entre uma dor boa e uma de verdade. Aprender a lê-los é uma das habilidades mais silenciosas e mais úteis que existem.

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Foto com profundidade de campo de uma pessoa de roupa de mergulho preta em pé diante da orla.

Foto de Austin Neill no Unsplash

A maioria de nós foi treinada para ignorar o corpo. Empurrar o cansaço para frente, pular o almoço, não ligar para a coluna travada, responder mais um e-mail. Às vezes parece disciplina. Muitas vezes é só ruído, abafando sinais que estavam tentando ajudar.

Seu corpo mantém um relatório em tempo real de como está indo. Aquele desânimo que bate às 15h, a tensão no maxilar antes mesmo de você nomear o estresse, as pernas pesadas avisando que o treino de ontem pede um dia de descanso. Existe até uma palavra para essa capacidade de ler os sinais internos: interocepção, sua habilidade de sentir o que acontece dentro de você. Algumas pessoas já nascem mais conectadas a isso. Para a maioria de nós é uma habilidade, e como toda habilidade, fica mais afiada com atenção.

Por que vale a pena confiar nos sinais?

O corpo não está sendo dramático. O cansaço é um pedido de descanso. A fome é um pedido de combustível. O coração acelerado e o peito apertado são o sistema de alarme fazendo o trabalho dele. Quando você se convence a ignorar essas mensagens sempre, duas coisas acontecem. Os pequenos problemas viram problemas maiores, e o próprio canal fica mais barulhento, até você realmente não conseguir distinguir se está cansado, com fome, ansioso ou só exausto.

Isso importa bastante quando o assunto é atividade física. Pesquisadores que estudam fadiga descobriram que pessoas com mais consciência do próprio estado interno, até mesmo algo simples como perceber as próprias batidas do coração, tendem a administrar melhor o esforço e a recuperação. Quando você lê bem o seu corpo, você acelera quando ainda tem gás no tanque e descansa quando não tem. Quando lê mal, você se desgasta sem perceber.

Sinal bom, sinal ruim

Parte de saber ouvir é entender quais mensagens dizem "continue" e quais dizem "pare". Algumas que aparecem com frequência:

  • Esforço de verdade vs. dor de verdade. A queimação de uma série puxada ou aquela dor leve um ou dois dias depois de um treino novo é normal. Dor aguda, repentina ou em pontada não é. Nem dor dentro da articulação, nem dor que fica além de uma semana.
  • Cansado vs. esgotado. Um cansaço leve dá para treinar em volta. Mas noite mal dormida, humor baixo ou irritado, batimento cardíaco de repouso que subiu, motivação que sumiu e ficar doente com mais frequência são sinais de que o corpo não está se recuperando. Se isso passa muito do ponto, é assim que o overtraining se instala.
  • Fome vs. outra coisa. A fome de verdade cresce aos poucos e qualquer comida parece boa. Uma vontade repentina e específica muitas vezes é estresse, tédio ou cansaço disfarçado de fome.
  • Estresse que passa vs. estresse que gruda. A tensão que alivia depois de uma caminhada ou uma boa noite de sono está fazendo o que deveria. A tensão que não larga, que se instalou nos ombros, no estômago e no sono por semanas, está pedindo mais do que uma solução rápida.

Como melhorar isso na prática?

Você não reaprende isso pensando mais. Reaprende se checando, com gentileza e frequência, até virar automático.

  1. Pare e observe. Algumas vezes por dia, pare e pergunte: como está minha energia, onde estou segurando tensão, estou com fome de verdade ou com sede? Dez segundos bastam. Você só está reabrindo a linha.
  2. Dê nome ao que encontrar. Colocar um sentimento em palavras simples ("estou ligado no 220 e cansado", "minhas costas estão travadas desde de manhã") facilita agir sobre ele e tira um pouco do peso.
  3. Tente a menor resposta possível. Cansado? Um descanso curto ou uma pausa de verdade, não mais um café. Tenso? Dois minutos de alongamento ou uma caminhada lenta. Você está reconstruindo a confiança de que, quando o corpo fala, você responde.
  4. Desacelere às vezes. Comer sem tela, caminhar sem fones, ficar parado um minuto antes de dormir. É no silêncio que os sinais mais sutis finalmente conseguem ser ouvidos.

Isso não é sobre obedecer a toda pontada ou tratar toda tarde de cansaço como uma crise. É sobre voltar a se falar, para que os sinais que chegarem sejam sinais que você consiga entender.

Quando vale a pena buscar mais ajuda?

Alguns sinais pedem um profissional, não uma autoavaliação. Dor forte, que surgiu de repente ou que não passa merece o olhar de um médico. O mesmo vale para um cansaço que o descanso nunca resolve, já que exaustão persistente pode ter causas médicas que valem investigação. E se os sinais mais altos forem emocionais, um peso que não vai embora, ansiedade que domina o dia, a sensação de que tudo é demais, vale conversar com um médico ou terapeuta. Ouvir o corpo também é perceber quando ele está pedindo apoio.

Você carrega consigo, a vida toda, um instrumento incrivelmente bom. Ele ainda está aí, ainda relatando. O trabalho agora é só aumentar o volume de novo e confiar no que você ouve.

Fontes

  1. Cleveland Clinic, Overtraining Syndrome: Symptoms, Causes & Treatment Options
  2. Cleveland Clinic, Delayed Onset Muscle Soreness (DOMS): What It Is & Treatment
  3. National Center for Biotechnology Information, Effect of the subjective intensity of fatigue and interoception on perceptual regulation and performance during sustained physical activity

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