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ENFRENTAR O DIA A DIA · ESCREVER UM DIÁRIO

Escrever um diário para aliviar o estresse: como pôr no papel ajuda

Escrever um diário ajuda a aliviar o estresse porque as preocupações ficam menores quando ganham contorno. Quando a mente está muito agitada, colocar as palavras no papel pode trazer um pouco de calma. Veja o que escrever realmente faz pelo estresse, por que funciona, e algumas formas simples de começar sem transformar isso em mais uma tarefa.

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Pessoa lendo um livro com bebidas e petiscos sobre a mesa

Foto de Mackenzie TerHaar no Unsplash

Algumas preocupações crescem quanto mais tempo ficam na sua cabeça. Elas dão voltas. Se desdobram em dez preocupações novas. Na hora de dormir, você já ensaiou a mesma conversa difícil quarenta vezes e não resolveu nada. Os pensamentos parecem enormes em parte porque não têm contorno, não têm forma, não têm onde pousar.

Escrever dá contorno a eles.

Essa é toda a promessa silenciosa de manter um diário. Você pega o turbilhão que vem rodando em loop e coloca no papel, com suas próprias palavras, onde finalmente consegue enxergar. Parece simples demais para fazer diferença. Mas faz muita diferença.

Por que uma página acalma uma mente acelerada?

Existe pesquisa de verdade por trás disso, e ela remonta a décadas. Nos anos 1980, um psicólogo chamado James Pennebaker começou a pedir para as pessoas escreverem sobre suas experiências mais angustiantes, por um período curto, em alguns dias separados. Os resultados surpreenderam até ele. Pessoas que escreviam sobre coisas difíceis, em vez de coisas neutras, costumavam se sentir melhor depois, e alguns estudos descobriram que elas até iam menos ao médico nos meses seguintes. O trabalho já foi repetido centenas de vezes desde então, e uma revisão cuidadosa publicada em um periódico de psiquiatria chegou à mesma conclusão geral: escrever sobre eventos estressantes ou emocionais tende a melhorar como as pessoas se sentem, no corpo e na mente.

O que acontece por baixo dos panos é bem intuitivo quando você para para pensar. Uma experiência estressante muitas vezes vive na sua cabeça como um emaranhado de sensações sem nenhuma história clara junto. Quando você escreve, é obrigado a desacelerar e transformar isso em frases, uma depois da outra, em ordem. Esse ato de transformar uma bagunça numa sequência de palavras parece ser de onde vem boa parte do alívio. Pennebaker notou que as pessoas que mais melhoravam não eram as que escreviam de forma mais dramática. Eram as que usavam palavras como "porque" e "entender", as palavras que você usa quando está elaborando algo, e não só desabafando.

Pense nisso menos como esvaziar a cabeça e mais como organizá-la. O problema não desaparece. Ele deixa de ser uma névoa e vira algo com partes, e algo com partes é algo que você consegue realmente olhar de frente.

Você não precisa fazer do jeito "certo"

O maior mito sobre manter um diário é que ele exige um caderno bonito, um hábito diário e alma de poeta. Nada disso é verdade, e acreditar nisso é o jeito mais rápido de nunca começar.

O University of Rochester Medical Center, que mantém um guia simples e útil sobre o assunto, resume bem: manter um diário é só colocar no papel seus pensamentos e sentimentos para entendê-los com mais clareza. Sem polícia da gramática. Sem plateia. O caderno pode ser o verso de um envelope ou o aplicativo de notas do celular. O que você escreve é só seu, e é exatamente isso que te dá liberdade para ser sincero.

Algumas coisas que realmente facilitam:

  • Ortografia e estrutura não contam. Risque o que quiser. Escreva sem parar. Deixe frases pela metade. A bagunça está liberada.
  • Não precisa ser longo. Duas frases sinceras valem mais que duas páginas forçadas.
  • Não precisa ser todo dia. Use como uma ferramenta que você recorre quando precisa, não como uma sequência que você tem que manter.
  • Ninguém precisa ler. Se a privacidade te preocupa, rasgue a página depois. A parte boa já aconteceu no momento de escrever.

Algumas formas de começar

Se a folha em branco intimida, você não precisa de inspiração. Precisa de um ponto de partida e de uns dez minutos. Escolha o que combinar com a noite que você está tendo.

  1. Escreva a preocupação inteira. Coloque um cronômetro de dez ou quinze minutos e escreva sobre o que estiver pesando no peito. Não tente controlar nem fazer soar razoável. Só coloque no papel os pensamentos e sentimentos reais até o tempo acabar. Essa é a abordagem clássica de escrita expressiva, e é a que tem mais pesquisa por trás.
  2. Nomeie o sentimento, depois o porquê. Comece dizendo como você se sente agora em uma ou duas palavras, e continue perguntando a si mesmo "por quê?" no papel. "Estou ansioso, porque a reunião mudou de data, porque não me sinto pronto, porque ainda não comecei a parte que estou evitando." Perseguir o "porque" costuma ser o jeito de transformar um medo vago em uma coisa única, menor e resolvível.
  3. Liste o que deu certo. Nos dias mais difíceis, escreva três coisas específicas que não deram errado, por menores que sejam. O café estava bom. Um amigo respondeu a mensagem. Você aguentou a ligação. Isso não é positividade forçada. É um jeito de ampliar uma visão que o estresse deixou estreita demais, focada só nas ameaças.
  4. Escreva a carta que você não vai enviar. Quando alguém te machucou ou te deixou com raiva, escreva tudo que você não consegue dizer em voz alta. Depois, guarde ou apague. A ideia nunca foi enviar mesmo.

Não existe escolha errada aqui. A única regra de verdade é escrever o que é real, e não o que soa bem.

E se escrever mexer demais com você?

Um alerta sincero. Escrever sobre algo doloroso pode trazer o sentimento para mais perto antes de aliviar, e por um tempinho você pode se sentir pior, não melhor. Para a maioria das pessoas, essa onda passa em cerca de uma hora, e o alívio vem depois. Mas se você está escrevendo sobre um trauma profundo, ir direto ao ponto mais difícil sozinho pode ser demais, rápido demais.

Se é esse o seu caso, você tem permissão para escrever ao redor, em vez de mergulhar direto no centro. Comece pelos estresses menores. Pare quando precisar. Não existe prêmio por atravessar a dor sozinho, e parte desse trabalho realmente se faz melhor ao lado de um terapeuta, que pode segurar junto com você as partes mais difíceis.

O que é manter um diário, e o que não é?

Uma página é um lugar maravilhoso para pensar. Ela é paciente, nunca interrompe e não pede nada em troca. Para o peso comum de uma semana estressante, um caderno pode fazer um bem surpreendente.

Ele tem limites, e vale a pena dizer isso com clareza. Manter um diário não vai resolver uma situação que precisa mudar, e não substitui tratamento. Se o seu estresse é constante, e não passageiro, se está prejudicando seu sono, seu apetite ou sua paciência com as pessoas que você ama, ou se escrever sempre te leva ao mesmo lugar escuro sem saída, esse é um sinal para buscar apoio de verdade. Um médico ou terapeuta não é sinal de que a escrita falhou. Eles são a próxima etapa, mais completa, da mesma coisa que você já vem fazendo no papel: contar a verdade sobre um momento difícil para alguém que pode te ajudar a carregar esse peso.

O caderno é um bom lugar para começar. Nos dias mais pesados, não precisa ser onde você termina.

Fontes

  1. University of Rochester Medical Center, Journaling for Emotional Wellness
  2. American Psychological Association, Expressive writing can help your mental health, with James Pennebaker, PhD
  3. Baikie & Wilhelm, Emotional and physical health benefits of expressive writing (Advances in Psychiatric Treatment)

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