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FITNESS

Treinos com o peso do corpo, sem equipamento: uma rotina completa para fazer em qualquer lugar

Treinos com o peso do próprio corpo não exigem equipamento: seu corpo é a resistência, e os resultados costumam ser comparáveis aos dos pesos. Você não precisa de academia, mensalidade nem de um único haltere para ficar genuinamente mais forte. Esses movimentos trabalham os músculos que você usa todos os dias, na dificuldade que você mesmo define.

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Grupo de mulheres praticando ioga

Foto de bruce mars no Unsplash

Existe um tipo particular de alívio em perceber que você já tem tudo o que precisa. Nada de ir até a academia. Nada de esperar um aparelho ficar livre. Nenhum equipamento para comprar, guardar ou sentir culpa por deixar largado no canto do quarto. Você pode fazer um treino completo, de corpo inteiro, parado no espaço entre a cama e a parede.

Esse é o charme discreto do treino com peso do próprio corpo. Você empurra, você agacha, você sustenta, você se levanta, e seus músculos não sabem se a resistência veio de uma barra ou da gravidade agindo sobre você. Os fisioterapeutas do Spaulding Rehabilitation Hospital, de Harvard, resumem bem: é possível ter um treino completo usando só o próprio corpo, com resultados muitas vezes comparáveis aos de pesos e aparelhos.

Isso também tem um lado mental, e é parte do motivo pelo qual importa aqui. O movimento é uma das formas mais constantes e confiáveis de aquietar uma mente agitada. Quando o treino não tem barreiras nem desculpas embutidas, você realmente faz. E fazer, numa terça-feira qualquer, sem nada de especial, é o que te mantém equilibrado ao longo de meses e anos.

Por que o seu próprio peso já é suficiente?

Os aparelhos te guiam por um trajeto fixo. Eles isolam um músculo e pedem que ele faça uma única coisa. Isso tem seu valor, mas deixa passar algo importante. Quando você desce num agachamento ou sustenta o topo de uma flexão, dezenas de pequenos músculos estabilizadores entram em ação para te manter equilibrado e alinhado. São esses músculos que te mantêm firme quando você sobe a escada com sacolas de mercado ou se equilibra numa calçada com gelo.

Os movimentos com o próprio corpo espelham o que seu corpo realmente faz no dia a dia. Levantar de uma cadeira. Subir escadas. Empurrar uma porta pesada. Essa ligação com a vida real é, no fundo, o motivo de treinar.

E a intensidade é você quem controla. A Harvard Health lembra que é possível aumentar ou diminuir a dificuldade de um movimento mudando o ritmo, a posição e a amplitude. Uma flexão contra a parede e uma flexão no chão são o mesmo exercício em dois ajustes diferentes. Você nunca fica travado.

Algumas regras básicas antes de começar

Se você tem algum problema cardíaco, uma lesão recente, problemas nas articulações, está gestante ou ficou muito tempo longe dos exercícios, converse rapidamente com seu médico antes de começar. Isso não é formalidade. Uma conversa de dois minutos pode te dizer quais movimentos priorizar e quais evitar, e vale a pena saber disso.

Além disso, três hábitos simples fazem toda a diferença:

  • Aqueça primeiro. Dois ou três minutos marchando no lugar, girando os braços e fazendo agachamentos leves já ativam os músculos e reduzem o risco de lesão.
  • Movimente-se devagar e com controle. Velocidade não é força. Um agachamento feito em três segundos na descida e dois na subida é mais difícil, mais seguro e mais eficaz do que um rápido.
  • Respire. Solte o ar no esforço, na parte em que você empurra ou se levanta. Prender a respiração aumenta a pressão arterial e não ajuda em nada.

Nada deve causar dor forte ou em pontada. Um músculo trabalhando fica quente e cansado. Uma articulação que dói está te dizendo para parar e ajustar.

O treino

Esta é uma sessão de corpo inteiro montada com cinco movimentos. Cada um tem uma versão mais fácil e uma mais difícil, então serve tanto se essa é sua primeira semana voltando a treinar quanto se é a centésima. Faça os movimentos na ordem. Descanse de trinta a sessenta segundos entre eles.

1. Agachamento com cadeira (pernas, quadril, core)

Fique em pé na frente de uma cadeira firme, com os pés na largura dos ombros. Empurre o quadril para trás como se fosse sentar, desça até tocar levemente o assento, depois volte a ficar em pé contraindo o bumbum.

  • *Mais fácil:* sente completamente e levante-se usando as mãos nas coxas para ajudar.
  • *Mais difícil:* fique suspenso quase tocando o assento, sem chegar a tocar, e demore três segundos completos na descida.

Faça de 8 a 12 repetições.

2. Flexão na parede ou no chão (peito, ombros, braços, core)

A flexão trabalha braços, peito, ombros e core ao mesmo tempo. Coloque as mãos um pouco mais afastadas do que a largura dos ombros. Desça o peito em direção à superfície e depois empurre de volta para cima.

  • *Mais fácil:* fique em pé e empurre contra a parede, ou apoie os joelhos no chão.
  • *Mais difícil:* flexão completa apoiando as pontas dos pés, descendo até o peito quase tocar o chão.

Faça o máximo de repetições limpas que conseguir, parando um pouco antes de sentir que vai falhar.

3. Subida no step (pernas, equilíbrio)

Use um step baixo e estável ou o primeiro degrau de uma escada. Suba com um pé, leve o outro para se juntar a ele, depois desça. Isso desenvolve a mesma força nas pernas que um aparelho de leg press, como apontam os fisioterapeutas do Spaulding, sem nada além de um degrau.

  • *Mais fácil:* apoie a mão em um corrimão ou parede para equilibrar.
  • *Mais difícil:* desacelere e faça uma pausa de um segundo no topo, apoiado numa perna só.

Faça de 8 a 10 repetições por perna.

4. Avanço para frente (coxas, glúteos, core, equilíbrio)

O NHS considera o avanço um movimento funcional essencial porque trabalha as coxas, o bumbum e o core enquanto desafia seu equilíbrio. Dê um passo à frente com um pé e desça até os dois joelhos ficarem em ângulo parecido, depois empurre de volta para ficar em pé.

  • *Mais fácil:* encurte o passo e apoie a mão na parede.
  • *Mais difícil:* desça mais profundamente e desacelere a descida.

Faça de 6 a 8 repetições por perna.

5. Prancha (core completo)

Apoie-se nos antebraços e nas pontas dos pés, com o corpo em linha reta da cabeça aos calcanhares, a barriga levemente contraída. Sustente respirando normalmente.

  • *Mais fácil:* apoie os joelhos no chão, ou faça a prancha alta apoiado numa bancada.
  • *Mais difícil:* sustente por mais tempo, ou levante um pé levemente do chão.

Sustente de 15 a 30 segundos. Vá aumentando com o tempo.

Com que frequência, e o que esperar?

As diretrizes nacionais de atividade física recomendam que adultos façam exercícios de fortalecimento muscular pelo menos dois dias por semana, trabalhando todos os grandes grupos musculares: pernas, quadril, costas, abdômen, peito, ombros e braços. Este treino cobre todos eles. Duas ou três sessões por semana, com um dia de descanso entre elas, é um bom lugar para se manter.

Não espere se sentir transformado depois de uma sessão. O que você provavelmente vai notar primeiro é pequeno e real: a escada parecendo um pouco mais fácil, levantar do chão com menos esforço, dormir um pouco melhor. A força se constrói em silêncio, ao longo de semanas, no plano de fundo de uma vida comum. O NHS observa que uma sessão como essa pode levar menos de vinte minutos, o que é parte do motivo pelo qual ela realmente vira hábito.

Quando um movimento deixa de parecer difícil, esse é o sinal para progredir, não para comprar equipamento. Desacelere. Adicione uma repetição. Faça uma pausa no ponto mais difícil. O seu próprio peso tem muito mais alcance do que as pessoas imaginam.

Quando buscar mais ajuda?

Se um exercício causar dor forte, inchaço, tontura ou aperto no peito, pare e converse com um médico antes de continuar. Se você está se recuperando de uma lesão ou cirurgia, um fisioterapeuta pode montar uma versão deste treino que proteja o que precisa ser protegido. E se ultimamente até se mexer parece impossível, não por falta de vontade, mas por um peso que não passa, isso também vale a pena mencionar a um médico ou terapeuta. O movimento ajuda a mente, mas não é a resposta completa, e você não precisa resolver isso sozinho.

O equipamento nunca foi o obstáculo. Você pode começar hoje, onde você está, com o que você tem.

Fontes

  1. Harvard Health Publishing, No equipment necessary
  2. Harvard Health Publishing, The advantages of body-weight exercise
  3. Centers for Disease Control and Prevention, Adult Activity: An Overview
  4. NHS, Strength exercises

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