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Fitness

Força do core além dos abdominais: um centro mais forte sem fazer sit-ups

Força no core não é só sobre abdominais: é sobre estabilidade. Treinar a sua região central para se manter firme, não para se dobrar. O seu core faz muito mais do que aparecer bem na praia. Ele te mantém em pé, estabiliza cada passo e protege as suas costas. Veja como treinar isso sem fazer um único abdominal.

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Halter rosa sobre tecido rosa

Foto de Elena Kloppenburg no Unsplash

Lembre da última vez que você carregou uma bolsa pesada de compras do carro, ou se virou para pegar algo no banco de trás, ou simplesmente levantou do chão depois de ficar sentado por muito tempo. Foi o seu centro do corpo que fez esse trabalho. Sem você nem perceber, um conjunto de músculos ao redor do tronco se firmou e sustentou para que o resto do corpo pudesse se mover.

Esse conjunto de músculos é o seu core. E, por anos, o conselho para treiná-lo foi sempre o mesmo: fazer mais abdominais. Mais flexões de tronco. Queimar até doer. Muita gente tentou, ficou com o pescoço dolorido e as costas reclamando, e desistiu quietinha.

Aqui vai uma boa notícia: você pode construir um core realmente forte sem fazer nada disso.

O que realmente é o seu core?

A palavra "core" costuma ser usada como se significasse só a barriga com "gominhos". Mas é muito mais que isso. O seu core é todo o cilindro em volta da sua região central: os músculos na frente da barriga, os das laterais, a camada profunda que envolve o tronco como um espartilho, e os músculos que sobem pela lombar. Os quadris e os músculos ao redor da coluna também fazem parte desse time.

A função de todos esses músculos juntos é dar estabilidade. Eles são o elo central entre a parte de cima e a parte de baixo do corpo, e um centro firme torna quase todo movimento mais fácil e menos cansativo. Alcançar uma prateleira alta, se abaixar para amarrar o tênis, ficar em pé por um bom tempo sem sentir dor. Quando o core está fraco, a lombar tende a assumir essa carga, e é aí que o problema costuma começar.

Um core fraco pode deixar você mais propenso a má postura e dor na lombar. A Mayo Clinic é direta: fortalecer o core pode ajudar a melhorar a dor nas costas e reduzir o risco de quedas conforme você envelhece. Esse é o verdadeiro motivo pelo qual isso importa. Não é o espelho. É como as suas costas se sentem quando você levanta da cama.

Por que os abdominais tradicionais saíram de moda?

Abdominais e flexões de tronco não são vilões. Mas têm desvantagens reais, e não são a escolha eficiente que a maioria das pessoas imagina.

A Harvard Health é direta sobre isso. Os abdominais tradicionais empurram a coluna curvada contra o chão, repetidas vezes, o que pode sobrecarregar a lombar e os flexores do quadril. Eles também trabalham só uma fração dos músculos que você realmente usa no dia a dia. O seu core foi feito para se firmar e sustentar enquanto o resto do corpo se move. Os abdominais o treinam para fazer algo que ele quase nunca precisa fazer sozinho: curvar os ombros em direção aos joelhos, repetidas vezes, isolado do resto do corpo.

Existe um jeito melhor de treinar um músculo cuja função principal é se manter firme: pedir que ele se mantenha firme.

Cinco movimentos que funcionam melhor

Nenhum desses exercícios precisa de equipamento. Comece pela versão mais fácil de cada um, faça os movimentos com calma, e pare se sentir qualquer beliscão na lombar. Um pouco de cansaço muscular é normal. Dor aguda é o sinal para desacelerar.

  1. A prancha. Apoie-se nos antebraços e nas pontas dos pés (ou nos joelhos, para começar), com o corpo formando uma linha reta da cabeça aos calcanhares. Não deixe o quadril cair nem subir demais. Contraia a barriga suavemente e respire. Segure de dez a vinte segundos, descanse, repita algumas vezes. A prancha ativa a frente, as laterais e as costas do core ao mesmo tempo, exatamente o que os abdominais tradicionais deixam de fora.
  2. A ponte. Deite de costas, com os joelhos dobrados e os pés no chão. Pressione os calcanhares e levante o quadril até o corpo formar uma linha reta dos joelhos aos ombros. Segure por alguns segundos, desça devagar. Esse movimento fortalece a parte de trás do core e os glúteos, que a maioria de nós usa pouco.
  3. Bird-dog. De quatro apoios, estenda um braço para frente e a perna oposta para trás ao mesmo tempo, devagar e com controle, depois troque de lado. A instabilidade que você sente ao se equilibrar é o seu core profundo trabalhando. Esse movimento é suave para as costas e surpreendentemente desafiador.
  4. Dead bug. Deite de costas, com os braços esticados para o teto e os joelhos dobrados sobre os quadris. Abaixe um braço por cima da cabeça e a perna oposta em direção ao chão, mantendo a lombar pressionada contra o chão. Volte à posição inicial e troque de lado. Parece fácil, mas não é.
  5. A caminhada com peso (loaded carry). Pegue algo pesado (uma bolsa de compras cheia, um kettlebell, um galão de água), fique em pé, com a postura ereta, e caminhe. Só isso. Carregar um peso enquanto você se mantém ereto treina o seu core do jeito que a vida real exige, e ainda serve como treino para, bem, carregar coisas.

Dois ou três desses exercícios, alguns dias por semana, já são suficientes. Você não precisa de uma rotina longa. Dez minutos focados valem mais do que uma hora que você nunca vai repetir.

Deixe mais fácil (ou um pouco mais difícil)

Se a prancha completa for demais, apoie os joelhos no chão, ou faça em pé, com os antebraços sobre uma bancada. As pontes e o bird-dog podem ser feitos mais devagar ou com menos repetições. O objetivo é a boa execução, não o heroísmo.

Quando a versão mais fácil deixar de ser um desafio, esse é o sinal para evoluir. Segure a prancha por mais alguns segundos. Acrescente uma pausa no topo da ponte. Carregue algo mais pesado. É com passos pequenos e constantes que a força realmente se constrói, e é isso que evita que você se machuque por pular etapas.

Um lembrete rápido de cuidado: se você tem uma lesão nas costas no momento, está grávida ou no pós-parto recente, ou tem alguma condição que te deixe com dúvidas, converse com um médico ou fisioterapeuta antes de começar. O trabalho de core geralmente é seguro e benéfico, mas encontrar a versão certa para o seu corpo vale uma conversa de cinco minutos.

O que muda quando você mantém a prática?

O resultado não aparece primeiro como uma barriga chapada. Ele aparece nos momentos comuns do dia a dia. Você se abaixa e levanta sem gemer. Suas costas reclamam menos depois de um dia longo sentado na mesa. Você se sente mais firme ao caminhar numa calçada escorregadia. Essa firmeza é o seu core fazendo o trabalho silencioso para o qual ele foi feito desde sempre.

Ninguém vai ver esses músculos trabalhando. Você só vai notar que o seu dia ficou um pouco mais leve de carregar.

Sources

  1. Harvard Health Publishing, Want a stronger core? Skip the sit-ups
  2. Mayo Clinic, Core exercises: Why you should strengthen your core muscles
  3. Mayo Clinic, Exercises to improve your core strength

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