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Hábitos saudáveis

Seus hábitos com as telas e sua saúde: pequenas mudanças para olhos cansados, corpo travado e um sono melhor

As telas não são vilãs, mas o jeito como a maioria de nós as usa cobra um preço silencioso dos nossos olhos, das nossas costas e do nosso sono. Aqui vão mudanças práticas e possíveis que ajudam, sem pedir que você guarde o celular numa gaveta.

Lençol de cama branco e cinza

Photo by Annie Spratt on Unsplash

Dicas rápidas

  • A cada 20 minutos, olhe a 6 metros de distância por 20 segundos.
  • Levante e se mexa por um minuto a cada meia hora, mais ou menos.
  • Diminua ou largue as telas na hora antes de dormir.

Some tudo com honestidade e o número assusta um pouquinho. Você trabalha numa tela, rola o feed numa tela, relaxa na frente de uma tela e dorme ao lado de uma que fica brilhando. Para muita gente, o dia começa e termina com a luz de um aparelho, com mais algumas horas dele no meio também.

Isto não é um sermão sobre força de vontade, e não vai dizer que as telas estão arruinando a sua vida. É com elas que a gente trabalha, se conecta e descansa. Mas o jeito como costumamos usá-las, longos períodos sem pausa, encurvados e parados, até o instante em que fechamos os olhos, exige muito do corpo. A boa notícia é que as soluções são pequenas. Você não precisa largar nada. Basta mudar alguns padrões nas bordas.

O que os dias longos de tela fazem com o seu corpo

Três áreas levam a pior: seus olhos, a imobilidade do corpo e seu sono.

Seus olhos cansam e ressecam. Encarando uma tela, você pisca bem menos do que o normal, e piscar é o que mantém os olhos úmidos. Sessões longas podem deixar você com o que chamam de fadiga ocular digital: olhos secos ou que coçam, visão embaçada e dor de cabeça. A Academia Americana de Oftalmologia traz aqui um dado que tranquiliza: a fadiga ocular digital é incômoda, mas não causa dano permanente aos olhos. É a sua vista pedindo uma pausa, não um sinal de que algo está se machucando.

Você para de se mexer. Um dia longo de tela costuma ser um dia longo sentado. As pesquisas associam ficar muito tempo sentado a maior risco de doença cardíaca, diabetes tipo 2 e outros problemas, e parte desse risco se mantém até para quem se exercita. O corpo simplesmente não foi feito para ficar dobrado numa cadeira por horas a fio. A tela não é a vilã. A imobilidade é.

Seu sono se desgasta. As telas nas últimas horas do dia jogam contra o sono de duas maneiras. A luz, sobretudo a azul, pode frear a melatonina, o hormônio que avisa ao seu corpo que é noite, o que dificulta cair no sono. E o conteúdo mantém a sua mente ligada justo quando ela tenta desligar. É por isso que os pesquisadores costumam sugerir reduzir as telas nas horas antes de dormir.

Pequenas mudanças que ajudam de verdade

Você não precisa reformular a sua vida. Escolha duas ou três destas e deixe que virem automáticas.

Dê um descanso regular aos seus olhos

O hábito mais simples para olhos cansados é desviar o olhar com frequência. Uma versão bem conhecida é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhe para algo a uns 6 metros de distância por uns 20 segundos. Isso dá um respiro aos músculos que ajustam o foco e lembra você de piscar. Estudos sobre esse tipo de pausa mostraram que ela ajuda a reduzir os sintomas de olho seco.

Mais alguns hábitos amigos da vista que a AAO sugere:

  • Pisque de propósito de vez em quando, ainda mais se os olhos parecerem arenosos.
  • Mantenha alguma distância. Sente-se a mais ou menos um braço de distância, uns 60 centímetros, da tela, com os olhos olhando levemente para baixo em direção a ela.
  • Ajuste o brilho à luz do ambiente. Uma tela que ofusca num quarto escuro, ou que some num ambiente muito claro, faz seus olhos trabalharem mais.
  • Corte o reflexo de janelas e luzes com uma persiana, uma cortina ou um filtro de tela fosco.
  • Use colírio se seus olhos ressecarem nos períodos longos.

Quebre o tempo sentado

A pesquisa sobre ficar sentado tem um lado animador: interromper isso ajuda, e até o movimento leve conta. Você não precisa de um treino. Precisa interromper a imobilidade.

  1. Coloque um lembrete. Um cronômetro ou um aviso na agenda a cada 30 a 60 minutos para se levantar.
  2. Fique em pé para as coisas pequenas. Atenda ligações de pé. Leia um documento longo em pé ou andando.
  3. Faça a caminhada curta. Uma volta para encher a garrafa de água, uma subida e descida de escada, alguns minutinhos ao ar livre entre uma tarefa e outra.
  4. Alongue onde você está sentado. Gire os ombros, alongue as costas, estique os braços para cima. Isso reajusta sua postura e seu foco ao mesmo tempo.

Nada disso é dramático, e essa é a ideia. As orientações de saúde pública são cada vez mais claras: trocar parte do tempo sentado por movimento de qualquer intensidade, mesmo suave, faz bem. O truque está na frequência, não na intensidade.

Proteja a última hora antes de dormir

Se você mudar uma única coisa, que seja a hora de desacelerar. Tente reduzir as telas brilhantes na última hora ou duas antes de dormir, e deixe o celular longe do alcance da cama, para que checá-lo não seja a primeira nem a última coisa que você faz. Algumas alternativas mais suaves para esse trecho final: diminua as luzes, leia algo no papel, alongue com calma ou deixe seus olhos descansarem em algo que não seja um feed.

Se ficar sem telas antes de dormir não for realista, diminua o brilho, use um ajuste de luz noturna mais quente e escolha algo calmo, em vez de algo que te agite ou te puxe para uma rolagem sem fim. Reduza o estímulo, mesmo que não consiga tirar a tela.

Pense em somar, não só em cortar

Aqui vai um jeito mais gentil de enxergar tudo isso. Tentar usar menos as telas só na base da contenção é cansativo e costuma não durar. Em geral funciona melhor somar coisas boas que, naturalmente, vão tomando o lugar das telas. Uma caminhada curta depois do jantar. Uma conversa de verdade. Um hobby que use as mãos. Tempo ao ar livre, onde não há nada para rolar. Quando o resto do seu dia tem mais coisas, a tela ocupa menos espaço sem briga.

E seja gentil consigo mesmo. Algumas fases são cheias de tela: um projeto grande, uma semana difícil, um período longo em que você precisa de conforto. Isso é humano. A meta nunca foi zero. É um corpo que pode se mexer, olhos que podem descansar e uma mente que pode desligar à noite.

Quando vale olhar mais de perto

A maior parte do desgaste das telas alivia assim que você muda os hábitos ao redor. Mas preste atenção se algo não se acomodar. Dor nos olhos ou mudanças na visão que persistem, ou que pioram, valem uma conversa com um oftalmologista, em vez de serem atribuídas às telas. Dificuldade contínua para dormir, apesar de uma rotina noturna mais calma, merece uma conversa com seu médico. E se você notar que recorrer a uma tela virou o principal jeito de lidar com o estresse ou com o ânimo baixo, ou que isso está afastando você do sono, das pessoas e das coisas que importam, vale conversar sobre isso com um profissional. Não como uma falha. Como um sinal de que você merece mais apoio do que uma tela pode dar.

Comece pequeno hoje à noite. Diminua as luzes uma hora antes e deixe seus olhos descansarem antes de dormir.

Fontes

Antes de ir, uma palavra sobre cuidado

A KEEP CALM oferece ferramentas educativas e gratuitas de autoajuda. Isto não é orientação médica, diagnóstico ou terapia, e não substitui o atendimento profissional. Se algo aqui ressoar como mais do que o estresse do dia a dia, procurar um profissional é um passo forte e sensato.

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