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CALMA AGORA · ACALMAR O CORPO

Como soltar a tensão física que você nem sabia que estava segurando

Liberar a tensão física começa em perceber ela: solte a mandíbula, baixe os ombros, afrouxe as mãos. O estresse não vive só na sua cabeça. Ele se instala na mandíbula, nos ombros, na base das costas. Veja por que o corpo se enrijece quando você está sob pressão, e algumas formas simples de deixar isso ir.

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Uma pessoa olhando pela janela

Foto de Jametlene Reskp no Unsplash

Solte os ombros por um segundo. Eles desceram mais do que você esperava? Relaxe o maxilar. Os dentes estavam se tocando? A maioria de nós carrega, sem perceber, uma tensão que nunca escolheu ter. Ela vai se acumulando enquanto respondemos e-mails, ficamos parados no trânsito ou viramos na cama às três da manhã, e quando finalmente notamos, já parece parte de nós.

Mas não é. É um resquício.

Quando algo te estressa, o corpo se prepara. Os músculos travam para deixar você pronto para agir, lutar, fugir ou simplesmente aguentar o impacto. É um reflexo antigo e útil. O problema é que o estresse do dia a dia raramente termina numa corrida ou numa luta. O prazo passa e outro chega. A conversa difícil acaba e você fica revivendo ela por horas. Assim, a tensão nunca se solta de verdade. Ela só vai se acumulando.

O ciclo em que você está presa (ou preso)

A American Psychological Association descreve a tensão muscular quase como um reflexo diante do estresse, a forma como o corpo se protege de um machucado. Num susto pontual, os músculos travam de uma vez e depois relaxam quando o momento passa. Mas sob estresse contínuo, esse alívio não vem. Em vez disso, o corpo se acomoda num estado constante e baixo de alerta.

Esse estado de alerta tem um custo. A APA relaciona a tensão muscular crônica nos ombros, pescoço e cabeça a dores de cabeça tensionais e migrâneas, além de ligar o estresse no trabalho a dores na região lombar e na parte superior do corpo. Se você já terminou uma semana estressante com o pescoço duro ou uma dor entre as escápulas, esse é o mecanismo por trás disso. Seu corpo estava em alerta, e ninguém avisou pra ele que a ameaça já tinha passado.

Aqui está a parte que vale a pena saber. O sinal vai nos dois sentidos. Músculos tensos não só reagem ao estresse, eles também o alimentam de volta. Um maxilar travado e um peito apertado avisam ao cérebro que algo ainda está errado, o que mantém o alarme ligado, o que mantém os músculos tensos. E assim segue, num ciclo. A boa notícia está escondida nesse mesmo ciclo: se o corpo pode alimentar o estresse para cima, ele também pode alimentar a calma. Soltar um músculo de propósito manda uma mensagem silenciosa ao cérebro de que o perigo já passou.

Soltar, parte por parte

A forma mais confiável de romper esse ciclo é um método que os profissionais chamam de relaxamento muscular progressivo. A ideia é quase simples demais. Você tensiona um grupo de músculos de propósito por alguns segundos, depois solta e presta bastante atenção na diferença. Esse contraste ensina o corpo o que "soltar" realmente é, o que é mais difícil de sentir do que parece quando você está tenso há tanto tempo que apertado já parece normal.

A Cleveland Clinic descreve isso como tirar o corpo do modo de luta ou fuga e colocá-lo no que costuma ser chamado de repouso e digestão, o estado em que a frequência cardíaca e a pressão sanguínea voltam a baixar. Dá para fazer a versão completa em cerca de dez a quinze minutos. Encontre um lugar onde você não será interrompida (ou interrompido), sente-se ou deite-se, e deixe a respiração desacelerar antes de começar.

  1. Comece pelos pés. Curve os dedos e tensione os pés com força por cerca de cinco segundos. Perceba a tensão.
  2. Solte tudo de uma vez. Sinta o calor e o peso que tomam conta. Fique nessa sensação por mais ou menos dez segundos.
  3. Suba para as panturrilhas e coxas. Tensione, mantenha, solte. Faça a mesma pausa.
  4. Continue pela barriga e parte inferior das costas, depois pelas mãos, fechando-as em punho, e pelos braços.
  5. Levante os ombros em direção às orelhas, mantenha a tensão, depois deixe-os cair.
  6. Termine pelo rosto. Contraia tudo para dentro, depois solte. Deixe a testa e o maxilar relaxarem completamente.

Não apresse o momento de soltar. A parte de tensionar não é o mais importante. O que importa é o soltar, e o instante depois em que você percebe seu corpo realmente relaxando. A maioria das pessoas se surpreende com o quanto estava tensa quando finalmente sente aquilo passar.

Uma observação prática da Cleveland Clinic: levante-se devagar quando terminar. Um relaxamento profundo pode baixar sua pressão arterial, e se levantar rápido demais pode deixar você meio zonzo. Se você tem alguma condição cardíaca, pressão alta ou algum machucado que torna doloroso tensionar um músculo, converse com seu médico antes e vá com calma. Tensione até sentir um aperto firme, nunca até o ponto de cãibra.

E se você só tiver um minuto?

A sequência completa vale a pena, mas nem sempre você vai ter dez minutos de silêncio disponíveis. Dá para usar o mesmo princípio nos intervalos de um dia comum.

Identifique onde sua tensão costuma se concentrar. Para a maioria das pessoas, é em um destes três lugares: maxilar, ombros ou mãos. Tensione com força contando até cinco, bem devagar, depois solte e deixe relaxado por uma ou duas respirações. Essa única repetição, feita na sua mesa entre uma tarefa e outra, pode interromper o acúmulo antes que ele vire dor de cabeça.

Um escaneamento corporal também funciona, sem nenhuma tensão envolvida. Fecha os olhos e mova sua atenção lentamente do couro cabeludo até os pés, parando em qualquer ponto que pareça apertado e imaginando a respiração chegando ali. Você não está forçando nada. Só está observando, e isso já costuma ser suficiente para soltar aquilo que estava travado por hábito.

Deixe sua respiração fazer parte do trabalho

Sua respiração e seus músculos estão conectados ao mesmo sistema de acalmar o corpo, então ajuda usar os dois juntos. Uma revisão sobre respiração lenta publicada na revista *Breathe* descobriu que desacelerar para cerca de seis respirações por minuto direciona o sistema nervoso para o equilíbrio parassimpático, a mesma sensação de acalmar que o relaxamento progressivo busca alcançar.

A forma mais simples de fazer isso é pela sua expiração. Deixe-a mais longa do que a inspiração. Inspire suavemente contando até quatro, depois expire contando até seis, deixando os ombros descerem um pouco mais em cada expiração. Combine isso com soltar o músculo em que você está focada (ou focado), e os dois se reforçam. Você está enviando a mesma mensagem por dois caminhos ao mesmo tempo.

A versão do dia a dia

A maior parte da tensão nunca chega ao ponto de precisar de um exercício de relaxamento. É o acúmulo lento de um dia passado meio travado. Alguns pequenos hábitos evitam que ela se acumule:

  • Marque algumas pausas rápidas de silêncio. Um lembrete no celular ou o início de cada hora. Quando ele aparecer, só perceba o maxilar e os ombros e deixe-os cair.
  • Se movimente. Uma caminhada curta, alguns alongamentos, levantar para sacudir os braços. O movimento dá aos músculos tensos um lugar para descarregar.
  • Cuide da postura sem se cobrar demais por isso. Ficar curvada (ou curvado) para frente por horas silenciosamente sobrecarrega o pescoço e a parte superior das costas. Ajustar a postura de vez em quando poupa essa região.
  • Preste atenção nas mãos. Segurando o volante, o celular, a borda da mesa. Solte um pouco a firmeza.

Nada disso é dramático. E é esse o ponto. Solta cem vezes por dia, aos pouquinhos, a tensão nunca chega a se endurecer.

E se soltar não for suficiente?

Essas ferramentas ajudam a baixar o volume da tensão no momento e, com o tempo, podem reduzir o quanto você carrega. Mas elas não resolvem tudo, e não é essa a proposta.

Se você tem uma dor que não passa, mesmo alongando ou relaxando bastante, procure um médico. Dor muscular persistente, dores de cabeça frequentes ou uma tensão que está prejudicando seu sono podem indicar algo que um exercício de relaxamento não alcança, e isso merece uma avaliação de verdade. Se a tensão vem acompanhada de uma preocupação que você não consegue desligar, um desânimo que não passa, ou a sensação de que a pressão nunca dá uma trégua, vale conversar com um profissional sobre isso. Pedir ajuda não é admitir que os exercícios falharam. É buscar o tipo certo de apoio para o que está realmente acontecendo.

Seu corpo tem aguentado a barra por você, talvez por muito tempo. Você pode se permitir soltar um pouco disso agora.

Fontes

  1. American Psychological Association, Stress effects on the body
  2. Cleveland Clinic, Benefits of Progressive Muscle Relaxation
  3. Mayo Clinic, Relaxation techniques: Try these steps to lower stress
  4. Breathe (European Respiratory Society), The physiological effects of slow breathing in the healthy human

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