Dicas rápidas
- Deixe o primeiro passo quase bobo de tão pequeno.
- Fale consigo mesmo como falaria com um amigo.
- Prometa a si mesmo apenas cinco minutos.
A aba está aberta há três dias. Você sabe que a tarefa é pequena. Sabe que vai levar vinte minutos. E mesmo assim, toda vez que você se senta para começar, de repente precisa olhar o celular, encher de novo a garrafa de água ou reorganizar uma pasta que estava ótima do jeito que estava. O prazo vai chegando. O peso vai aumentando. E você continua sem começar.
A maioria de nós aprendeu a ler isso como um defeito de caráter. Somos preguiçosos, indisciplinados, ruins de administrar o tempo. Então tentamos resolver com um planejamento melhor, um aplicativo novo, uma agenda mais rígida, e atravessamos uma tarefa na marra antes de escorregar de volta para o mesmo padrão. O planejamento não é o problema. O problema é a sensação que está por baixo dele.
O que a procrastinação realmente é
Durante muito tempo, os pesquisadores trataram a procrastinação como uma falha de gestão do tempo. A visão mais recente e bem mais útil é que ela é uma forma de administrar as emoções. Quando uma tarefa te faz sentir algo desagradável, o cérebro busca o alívio mais rápido que estiver à mão, e evitar a tarefa é o alívio mais rápido que existe.
A Dra. Fuschia Sirois, psicóloga que estuda isso há anos, diz de forma direta: a procrastinação tem a ver com regular como uma tarefa te faz sentir, não com quanto tempo você tem. O psicólogo canadense Tim Pychyl descreveu da mesma maneira, chamando isso de um problema de reparo do humor no curto prazo. Você larga a tarefa, a sensação ruim alivia por um minuto, e esse lampejo de alívio ensina o seu cérebro a fazer de novo na próxima vez. É um hábito construído a partir de se sentir melhor, agora mesmo, às custas do seu eu futuro.
Repare no que falta nesse quadro: a força de vontade. Você não está falhando em se esforçar o suficiente. Você está conseguindo, de forma muito eficiente, escapar do desconforto.
Onde a ansiedade entra
A ansiedade e a procrastinação se alimentam uma da outra, e o ciclo é apertado.
Pense nos tipos de tarefa que você mais adia. Costumam ser as carregadas de preocupação. O e-mail em que você pode receber uma resposta difícil. O projeto que pode te expor como não bom o suficiente. A ligação que você está temendo. A página em branco que pede que você seja impressionante sob encomenda. O medo é o ponto — o seu sistema nervoso marca a tarefa como uma ameaça, e evitar faz a ameaça sumir por um tempo.
Mas só por um tempo. A tarefa continua lá amanhã, e agora há menos tempo, mais pressão e uma camada nova de culpa por ter esperado. Então, da próxima vez que você olha para ela, parece ainda mais ameaçadora do que antes. Evita, sente-se melhor, sente-se pior, evita de novo. As pessoas adiam uma tarefa para escapar de uma sensação ruim e acabam se sentindo pior do que se simplesmente a tivessem feito.
É por isso que o conselho de "é só fazer" costuma não pegar. Se o motor que move a coisa toda é a ansiedade, então tudo que aumenta a pressão (uma bronca mais severa, um prazo mais assustador, mais vergonha) joga combustível justamente no fogo que você está tentando apagar.
Pare de se atacar primeiro
Aqui está a parte que surpreende as pessoas. O movimento mais útil é pegar mais leve consigo mesmo, não apertar mais forte.
Quando procrastinamos, costumamos acumular: estou tão atrasado, o que há de errado comigo, por que eu não consigo ser normal com isso. Esse autoataque parece produtivo, como se ao menos estivéssemos nos cobrando. Ele faz o contrário. A vergonha adiciona mais uma camada de sensação ruim à tarefa, o que a torna ainda mais algo a ser evitado.
A pesquisa sobre isso é genuinamente animadora. Estudantes que se perdoaram por terem procrastinado em uma prova passaram a procrastinar menos na prova seguinte. A autocompaixão não é se dar um passe livre. É tirar um dos anzóis em que você está fisgado, para que você consiga de fato se mexer. Sirois faz questão de dizer que isso não é se eximir de tudo. É reconhecer que se debater com coisas difíceis é comum e humano, o que acalma o sistema o suficiente para começar.
Experimente falar consigo mesmo do jeito que falaria com um amigo na mesma situação. Você não diria a ele que ele não presta. Provavelmente diria: "É, essa aí é osso. Quer só começar pela primeira linha?"
O que de fato ajuda você a começar
Como o obstáculo real é uma sensação, o objetivo não é convocar mais disciplina. É deixar a tarefa menos barulhenta por dentro, e fazer com que começar pareça suportável. Algumas coisas que costumam funcionar:
- Encolha o primeiro passo até ele ficar quase bobo. Não "escrever o relatório". Abra o documento e digite o título. Não "limpar a garagem". Carregue uma caixa para fora. A parte mais difícil é o limiar, e um passo minúsculo o abaixa. A ansiedade cai no instante em que uma tarefa vaga e ameaçadora vira uma pequena ação concreta.
- Nomeie a sensação, não a tarefa. Antes de começar, pergunte o que você está de fato evitando. Medo de fazer mal feito? Tédio? Não saber por onde começar? Pôr em palavras tira um pouco da carga, e muitas vezes aponta para o problema real, que raramente é a tarefa em si.
- Faça um plano de quando e onde, não um plano de algum dia. "Eu faço depois" é como isso morre. "Vou rascunhar isso às 9h na mesa da cozinha" dá ao seu cérebro um sinal específico para agir, o que gruda muito mais do que boas intenções.
- Permita-se fazer mal feito de propósito. Dê a si mesmo permissão para escrever um primeiro rascunho péssimo, mandar uma versão desajeitada, fazer uma passada bruta. Perfeccionismo e procrastinação são primos próximos; ambos são alimentados pelo medo de ficar aquém. Um começo ruim ganha de um plano perfeito que você nunca toca.
- Use a porta dos cinco minutos. Diga a si mesmo que só precisa trabalhar por cinco minutos, e que está livre para parar depois. Começar é o muro. Depois que você passa dele, o embalo costuma te levar, e, se não levar, cinco minutos de progresso ainda ganham de zero.
Quando você terminar algo que vinha temendo, marque o momento. Uma recompensa pequena e de verdade ensina o seu cérebro a ligar o esforço a algo bom, em vez de só ao alívio do medo.
Quando é maior do que um hábito
A maior parte da procrastinação é comum e muito humana. Às vezes ela é um sinal que vale a pena escutar.
Quando adiar as coisas se tornou constante, quando isso está te custando no trabalho, nos estudos ou nas suas relações, ou quando a ansiedade em torno das tarefas está vazando para o resto da sua vida, vale a pena tratar isso como mais do que um problema de produtividade. A procrastinação crônica anda junto com mais estresse, ansiedade e depressão, e é difícil saber por dentro qual delas está conduzindo. Uma tarefa que parece genuinamente impossível, não apenas desagradável, pode ser sinal de depressão ou de um transtorno de ansiedade, e não de uma falta de força de vontade.
Você não precisa resolver isso sozinho. Um médico ou um terapeuta pode te ajudar a descobrir o que está por baixo da evitação e que tipo de apoio de fato se encaixa. As terapias que trabalham diretamente com os pensamentos ansiosos e com a evitação costumam ajudar, e não há prêmio por aguentar na marra.
Da próxima vez que você se pegar rodeando uma tarefa em vez de começá-la, experimente uma pergunta diferente de "por que eu sou tão preguiçoso". Tente "o que isso está me fazendo sentir, e como eu deixo o primeiro passo pequeno o bastante para conseguir dar?". Você não está quebrado. Você está evitando uma sensação, como as pessoas fazem. E uma sensação é algo com que você pode trabalhar.
Fontes
- American Psychological Association, Why we procrastinate and what to do about it, with Fuschia Sirois, PhD
- Cleveland Clinic, How To Stop Procrastinating
- National Library of Medicine (PMC), "I'll Worry About It Tomorrow" – Fostering Emotion Regulation Skills to Overcome Procrastination
- Sirois & Pychyl, Procrastination and the Priority of Short-Term Mood Regulation: Consequences for Future Self (Social and Personality Psychology Compass)