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AUTOAJUDA · MEDOS ESPECÍFICOS

Ansiedade médica e odontológica: como conseguir o cuidado de que você precisa quando a consulta te dá medo

A ansiedade com médico e dentista é comum, e temer a consulta não faz de você alguém fraco ou raro. Veja o que esse medo faz por dentro, e um conjunto de atitudes práticas para tornar a próxima consulta mais fácil de enfrentar.

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O sol brilha entre as árvores na floresta

Foto de Dina Badamshina no Unsplash

A consulta está marcada na agenda. Dá para sentir dias antes, um zumbido baixo que fica mais alto quanto mais perto a data chega. Pode ser a cadeira que reclina e a luz forte. Pode ser o aparelho de pressão, a agulha, ou o momento em que alguém de jaleco olha para uma tela e fica em silêncio. Pode ser que você nem consiga nomear o que é. Você só sabe que o estômago dá um salto quando chega o lembrete por mensagem, e uma vozinha começa a procurar um motivo para cancelar.

Você está em ótima companhia, no sentido de que não está sozinho. Cerca de um terço das pessoas nos Estados Unidos relata medo de tratamento odontológico, e aproximadamente uma em cada oito carrega esse medo em um nível forte o bastante para ser chamado de fobia, segundo a Cleveland Clinic. O medo de cuidados médicos segue o mesmo padrão. Muita gente que comanda empresas, cria filhos e lida com pressão real todos os dias fica um pouco pálida numa sala de espera. O medo não é um defeito de caráter. É o sistema nervoso fazendo exatamente aquilo para o qual foi criado, num lugar onde isso não ajuda em nada.

O problema é no que esse medo te convence a fazer. Limpezas puladas. Aquele sintoma preocupante que você vive adiando levar ao médico. Uma receita que nunca é comprada. Evitar parece um alívio na hora, e depois, silenciosamente, aumenta o risco, porque o problema pequeno que você não olhou raramente continua pequeno. Por isso vale a pena entender esse medo, não porque ele seja bobo, mas porque o cuidado do outro lado dele importa.

Por que o corpo trata uma consulta de rotina como uma ameaça?

Seu cérebro tem um sistema de alarme antigo e rápido que não pensa em palavras. Ele pensa em padrões. Confinamento, perda de controle, objetos pontiagudos, as mãos de um estranho perto do seu rosto ou das suas veias, a possibilidade de uma notícia ruim. Para a parte mais antiga do seu cérebro, uma cadeira de dentista e uma emergência de verdade podem parecer surpreendentemente iguais. Então ele faz o que sabe fazer melhor. O coração acelera, a respiração fica curta, os músculos tensionam, a atenção se estreita na ameaça. Nada disso é uma decisão que você toma. Isso chega antes de você ter chance de argumentar com aquilo.

É por isso, também, que tanta gente tem a pressão alta medida na clínica e completamente normal em casa. Existe até um nome para isso: síndrome do jaleco branco, e a Cleveland Clinic estima que ela afeta entre 15% e 30% das pessoas com leituras elevadas. O manguito é colocado, o corpo se prepara para reagir, o número sobe. É o mesmo alarme, aparecendo como uma medição.

Para muita gente, o medo vem de algo específico. Um procedimento que doeu quando você era criança. Um médico que foi rude. Uma vez em que você se sentiu preso ou não foi ouvido. O sistema de alarme guarda essa experiência e dispara de novo sempre que algo se parece com ela. Vale saber disso, porque significa que o medo foi aprendido, e o que se aprende pode ser desaprendido. Você não está preso a isso para sempre.

O tipo do seu medo importa

"Ansiedade médica" é um termo bem amplo, e a ajuda que funciona depende muito de qual versão você carrega. Vale a pena ser honesto consigo mesmo sobre o que realmente te ativa, porque é em cima disso que você vai planejar.

Algumas pessoas temem a dor, a broca, a injeção, o procedimento em si. Outras temem a perda de controle, deitar com as mãos de outra pessoa dentro da sua boca e sem jeito fácil de falar. Outras temem o veredito, a notícia de que algo está errado, que na verdade é medo do futuro vestindo um avental de hospital. Algumas têm um medo quase puramente físico, como a fobia de agulha, que pode fazer a pessoa realmente desmaiar, ou o reflexo de engasgo que transforma uma limpeza de rotina numa luta. E para algumas o pior é a impotência de esperar, o avental, a sala fria, o relógio, o não saber.

Claro que eles se sobrepõem. Mas cada um pede coisas diferentes. A dor responde a anestesia, sedação e um dentista que checa como você está. A perda de controle responde a um sinal de pausa e a uma narração passo a passo. O medo do veredito responde a levar alguém junto e pedir ao médico para ir mais devagar e explicar tudo. A fobia de agulha tem suas próprias táticas. Quando você consegue nomear o tipo do seu medo, para de lutar contra uma nuvem vaga e começa a resolver um problema concreto.

Antes do dia: diminua o desconhecido

Boa parte do medo médico e odontológico é medo do desconhecido. A mente preenche o espaço vazio com os piores cenários. Dar a ela informação real tira esse espaço dela.

  • Avise que você está ansioso. É a coisa mais útil que você pode fazer, e as pessoas deixam de fazer por vergonha. Ligue antes, avise na recepção, ou escreva na ficha. Boas clínicas lidam com pacientes nervosos o dia todo e preferem muito mais saber disso. O NHS incentiva explicitamente nomear o medo, para que você e o profissional possam planejar a consulta juntos.
  • Peça a narração passo a passo. Peça para o dentista ou médico contar o que vai fazer antes de fazer. A surpresa é a maior parte do que assusta. Um simples "agora você vai sentir uma pressão, sem dor forte" pode mudar toda a experiência.
  • Marque num horário de menos estresse. Um horário logo no início da manhã significa menos tempo do dia antecipando a consulta e menos chance de você ficar remoendo na sala de espera enquanto o atendimento atrasa.
  • Leve uma âncora. Fones de ouvido com uma playlist ou podcast conhecido. Alguém de confiança na sala de espera, ou até dentro do consultório, se permitirem. Algo para segurar nas mãos. Isso não é bobagem. Dá ao seu sistema nervoso algo estável para se apoiar.
  • Vá com calma no combustível. Pule aquele café extra de manhã. Cafeína e coração acelerado se alimentam um do outro, e também empurram para cima aquele número da pressão.

Na cadeira: o que realmente funciona

Quando o alarme já disparou, argumentar não adianta. É preciso trabalhar com o corpo.

  1. Alongue a expiração. Inspire devagar contando até quatro, expire contando até seis. Uma expiração mais longa é um dos poucos "botões" diretos que você tem para acionar a resposta de acalmar do corpo. Três ou quatro rodadas já ajudam a tirar o pico da tensão. Ninguém vai perceber que você está fazendo isso.
  • Nota: mantendo a numeração da lista.
  1. Combine um sinal de pausa. Combine um sinal claro, geralmente levantar a mão esquerda, que signifique parar. É exatamente isso que o NHS recomenda. O medo de não ter saída costuma ser maior do que qualquer coisa que o procedimento faça, e saber que você pode parar geralmente faz com que você nunca precise.
  2. Dê um trabalho para a sua atenção. Pressione os calcanhares contra o chão e sinta a pressão. Conte os quadrados do teto. Cante uma música na cabeça. O cérebro racional e o cérebro do alarme disputam a mesma atenção, então ocupe ela de propósito.
  3. Solte os ombros e destrave a mandíbula. O medo se esconde no corpo. Quem está na cadeira do dentista costuma agarrar os apoios de braço e travar a mandíbula com força. Um relaxamento deliberado, ombros soltos, mãos abertas, manda um sinal mais calmo de volta para o cérebro.
  4. Divida em pedaços pequenos. Você não precisa passar pela consulta inteira. Precisa passar por este próximo minuto. Depois o seguinte. Diminuir o horizonte de tempo diminui o medo.

Um adendo para o medo de agulha, que é um caso à parte: olhe para outro lado, avise a equipe, e pergunte se pode se deitar. Para algumas pessoas, uma técnica específica de tensionar brevemente os músculos para manter a pressão alta ajuda a evitar desmaios. Um enfermeiro pode te orientar nisso. Não existe prêmio por aguentar tudo em silêncio.

Trate o profissional como parceiro, não como juiz

Boa parte do medo médico parte da ideia silenciosa de que a pessoa do outro lado está te avaliando. O dentista vai ficar horrorizado com o tempo que passou. O médico vai te repreender sobre o peso, o cigarro, aquilo que você vem evitando. Essa história mantém as pessoas longe de cuidados por anos, e geralmente é falsa. Eles já viram de tudo. Um intervalo de cinco anos entre limpezas não é um choque para um dentista, é só mais uma terça-feira.

Você tem permissão para colocar suas condições. Experimente algumas destas:

  • Peça ao médico para começar pelo plano, não pelo sermão. "Você pode me dizer o que fazemos agora, e podemos falar sobre o resto depois?"
  • Leve uma lista escrita das suas perguntas, para que o medo não apague sua memória assim que a porta abrir.
  • Faça anotações, ou pergunte se pode gravar a parte em que explicam os resultados. A ansiedade consome informação; uma gravação deixa você ouvir tudo de novo quando estiver mais calmo.
  • Se um profissional for indiferente ou piorar seu medo, você pode procurar outro. Um bom encaixe faz parte do tratamento, não é um luxo.

A preocupação com más notícias merece uma palavra honesta à parte. Evitar a consulta não evita a notícia. Só a adia até um ponto em que sobram menos boas opções. Pegar algo cedo, quando ainda é pequeno e tratável, é exatamente o motivo dessas consultas existirem. A parte mais assustada de você está tentando te proteger, e a coisa mais gentil que você pode fazer por ela é ir mesmo assim.

Quando o medo é maior do que alguns truques dão conta?

Às vezes respiração e boa comunicação não bastam, e isso não é falha de esforço. Se o seu medo é forte a ponto de você ter passado anos sem cuidado, ou de cancelar consultas que sabe que precisa fazer, ou de entrar em pânico na porta, existem opções reais que valem a pena perguntar.

Muitas clínicas oferecem sedação para pacientes ansiosos, desde medicação leve para acalmar até sedação mais profunda para procedimentos maiores. O NHS mantém serviços dedicados de sedação exatamente por esse motivo, para que procedimentos necessários aconteçam sem submeter uma pessoa com medo a mais do que ela consegue suportar. Pergunte. É um pedido normal, não um favor especial.

Para o medo em si, a ferramenta mais eficaz a longo prazo é a terapia cognitivo-comportamental, uma terapia de conversa curta e focada, geralmente algumas sessões, não anos de divã. O NHS England aponta uma base sólida de evidências para a TCC tanto na ansiedade odontológica quanto na médica, muitas vezes combinada com uma exposição gradual e cuidadosa, para que a situação temida vá perdendo força aos poucos. A sedação pode te ajudar a passar pela próxima consulta. A TCC pode significar que você não vai precisar dela para sempre.

E se esse pavor faz parte de um padrão maior, se a ansiedade aparece em várias áreas da sua vida e não só nas salas de espera, vale a pena levar isso ao médico ou terapeuta como um assunto à parte. O mesmo medo que torna uma limpeza impossível pode estar moldando, silenciosamente, muitas outras escolhas.

Um jeito mais gentil de olhar para isso

Ajuda largar a ideia de que você deveria estar bem com tudo isso. Muita gente firme e capaz não está. O objetivo nunca foi não sentir nada naquela cadeira. O objetivo é conseguir o cuidado que seu corpo precisa, sentindo o que você sentir, com algumas ferramentas no bolso e pessoas que sabem que você está com medo.

Comece com uma coisa pequena. Faça a ligação. Diga a frase em voz alta: "Eu fico muito ansioso com isso." Essa única frase honesta, mais do que qualquer técnica de respiração, costuma ser onde tudo começa a ficar mais fácil.

Fontes

  1. Cleveland Clinic, Dentophobia (Fear of Dentists): Causes, Symptoms & Treatments
  2. Cleveland Clinic, What Is White Coat Syndrome?
  3. NHS England, Clinical standards for dental anxiety management
  4. NHS inform, Coping with a fear of the dentist

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