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Fitness

Como o movimento alivia o estresse: por que o seu corpo acalma a sua mente

O movimento alivia o estresse no lugar onde ele mora: o corpo. Um maxilar travado, um estômago embrulhado, um coração que não quer desacelerar, tudo isso é o mesmo alarme. Se movimentar de propósito é uma das formas mais confiáveis de descarregar essa tensão e voltar a se sentir você mesmo.

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Uma rua arborizada com uma cerca e árvores margeando os dois lados

Foto de Scott Precious no Unsplash

Existe um tipo específico de dia ruim em que seus ombros sobem até perto das orelhas e você nem percebe até finalmente parar. O estresse não fica educadamente só nos pensamentos. Ele trava a mandíbula, embrulha o estômago e mantém os músculos em alerta para uma ameaça que nunca chega de fato.

Esse lado físico do estresse também é a porta de saída dele. Quando você move o corpo, não está apenas se distraindo. Está trabalhando com os mesmos sistemas que dispararam o alarme, dando a eles um jeito de se acalmar. Muita gente descobre isso por acaso: uma caminhada que virou o dia de cabeça para baixo, uma corrida que aquietou a mente acelerada. Aqui está por que isso funciona, e como usar isso de propósito.

Estresse é um evento do corpo

Quando o cérebro sente pressão, ele dispara um alarme antigo. Hormônios como adrenalina e cortisol tomam conta, o coração acelera, a respiração encurta e os músculos tensionam, tudo isso pensado para ajudar a lutar ou fugir de um perigo físico. Esse sistema salvou nossos ancestrais de predadores. Ele ajuda bem menos quando a ameaça é uma caixa de e-mails, e não há nada para se fugir de fato.

Então a energia não tem para onde ir. Os hormônios continuam circulando, os músculos permanecem tensos, e você fica ali, num corpo pronto para correr enquanto responde e-mails. O movimento dá a esse estado acelerado um lugar para aterrissar. Ele queima a química do estresse do jeito que ela deveria ser queimada, pelo corpo.

O que acontece quando você se movimenta?

O exercício muda sua química interna de algumas formas que importam aqui. Segundo a Harvard Health, a atividade aeróbica reduz os hormônios do estresse no corpo, incluindo adrenalina e cortisol, e ao mesmo tempo estimula a liberação de endorfinas, as substâncias do bem-estar produzidas pelo próprio cérebro. As endorfinas estão por trás da famosa euforia da corrida e daquela sensação de relaxamento e otimismo tranquilo que costuma vir depois de um bom treino.

O efeito não exige uma sessão intensa. Uma caminhada rápida de vinte minutos já pode clarear a mente e tirar a aspereza do estresse. O objetivo não é se esgotar. É dar ao sistema nervoso um sinal diferente daquele que o estresse insiste em mandar.

Existe também um benefício de longo prazo. O movimento regular parece tornar as pessoas mais resistentes ao estresse com o tempo, não só no momento seguinte a uma sessão. Seu corpo ganha prática em acionar o alarme e depois desligá-lo, então as coisas do dia a dia acabam te sacudindo um pouco menos.

Funciona na mente, não só na química

Nem todo o benefício é químico. Parte dele é mais simples do que isso.

Quando você está caminhando, levantando peso ou se alongando, a atenção tem para onde ir além da preocupação que fica em loop. A Harvard Health observa que a atividade física ocupa a mente e permite dar um passo para longe das preocupações do dia por um tempo. Essa pausa pode ser suficiente para afrouxar um pensamento que você estava segurando com força demais.

O movimento também vai desgastando a tensão física que o estresse acumula. O estresse tende a travar os músculos e prender a mandíbula, às vezes até virar dor de cabeça. Movimentos suaves e intencionais, e práticas como tensionar e depois soltar cada grupo muscular lentamente, interrompem esse ciclo e lembram um corpo em alerta que ele tem permissão para relaxar.

E existe a recompensa mais silenciosa de simplesmente fazer a coisa. Conforme você fica um pouco mais em forma, tende a sentir uma sensação crescente de competência e controle, que é, em si, um antídoto contra a sensação de impotência que o estresse pode trazer.

O que conta, e quanto?

Boa notícia: a barra é mais baixa do que a indústria do fitness sugere. O CDC recomenda que adultos busquem cerca de 150 minutos de atividade moderada por semana, o que dá aproximadamente 30 minutos por dia, cinco dias por semana, mais alguns dias de treino de força. Mas isso é uma meta para ir se aproximando, não um preço de entrada. O CDC deixa claro que um pouco de atividade é melhor do que nenhuma, e os benefícios começam a se somar imediatamente.

Para o estresse em particular, o tipo de movimento importa menos do que o fato de se mover. Algumas opções, dependendo do que você tem disponível:

  • Uma caminhada, de preferência ao ar livre. O alívio de estresse mais simple e repetível que existe. Sem equipamento, sem técnica, disponível em quase qualquer lugar.
  • Qualquer coisa rítmica e aeróbica. Pedalar, nadar, dançar na cozinha, correr. O ritmo constante e repetitivo é parte do que traz a calma.
  • Yoga ou tai chi. Combinam movimento suave com respiração lenta, o que reforça o efeito calmante.
  • Treino de força. Levantar peso, mesmo leve ou usando só o peso do próprio corpo, dá ao estresse um lugar físico para se descarregar e constrói essa sensação de controle.
  • Um alongamento e algumas respirações lentas. Nos dias em que qualquer coisa além disso parece impossível, isso ainda conta.

Perceba o fio condutor. Nenhuma dessas opções exige academia ou uma hora que você não tem.

E se a motivação for exatamente o que o estresse levou?

Aqui está a virada cruel. Muitas vezes é o próprio estresse que drena a energia que você precisaria para ir se exercitar. Se você está exausto demais até para imaginar um treino, isso não é falta de disciplina. É o estresse fazendo o que ele faz.

Então diminua a exigência. A meta num dia difícil não é um treino incrível. É qualquer movimento, do tamanho que for.

  1. Torne isso absurdamente pequeno. Dançar o tempo de uma música. Uma caminhada até o fim da rua e volta. Cinco minutos, e depois você tem permissão para parar.
  2. Reduza o atrito. Deixe o tênis perto da porta. Escolha algo para o qual não precise dirigir ou se trocar.
  3. Encaixe num momento que você já vive. Uma caminhada curta logo depois do almoço, um alongamento enquanto o café passa.
  4. Note como você se sente depois, não só antes. O receio de antes mente. O alívio de depois é a parte honesta, e é lembrar dele que faz você sair de casa na próxima vez.

A maioria das pessoas descobre que os primeiros cinco minutos são a batalha inteira. Depois que você começa a se mover, continuar é fácil, e parar antes do previsto ainda conta como vitória.

Quando buscar mais do que uma caminhada?

O movimento é uma ferramenta genuinamente poderosa, e também não resolve tudo. Se o seu estresse é constante, se está desgastando seu sono, sua concentração, seus relacionamentos ou sua capacidade de atravessar um dia normal, uma caminhada não foi feita para carregar tudo isso sozinha. Vale conversar com um médico ou terapeuta, que pode ajudar com o que está por trás disso.

Um aviso rápido também. Se você tem uma condição cardíaca, uma lesão ou outra questão de saúde, ou se está inativo há muito tempo, converse com seu médico antes de começar algo novo ou intenso, para entrar nessa devagar e com segurança.

Nada disso pede que você se torne um atleta. Pede um pouco de movimento, um pouco mais frequente do que o de hoje, nos dias em que você conseguir. Seu corpo já sabe como sair do estresse. Às vezes ele só precisa que você o leve para caminhar.

Fontes

  1. Harvard Health Publishing, Exercising to Relax
  2. Centers for Disease Control and Prevention, Adult Activity: An Overview
  3. Cleveland Clinic, Signs of Burnout: What It Is, How It Feels and How To Recover

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