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Movimento

Tempo na natureza, a pé: o reinício silencioso de uma caminhada ao ar livre

Caminhar em contato com a natureza faz algo que a esteira não consegue: baixa o cortisol, desacelera o coração e descansa a mente. Uma caminhada debaixo de árvores acalma o sistema nervoso de um jeito que o mesmo exercício dentro de casa não alcança. Veja o que dizem as pesquisas, e o quanto pouco isso exige: cerca de duas horas de contato com o verde por semana, divididas do jeito que funcionar melhor para você.

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Mulher caminhando numa trilha na floresta

Foto de Old Youth no Unsplash

Pense na última vez em que você caminhou por algum lugar verde. Um parque, uma trilha, um caminho à beira d'água. Provavelmente você não saiu com a intenção de resolver nada. Você só foi. E em algum momento no meio do caminho, sem nem perceber, seus ombros relaxaram e aquele nó apertado do dia afrouxou um pouco. Você voltou pra casa se sentindo uma pessoa ligeiramente diferente da que tinha saído.

Essa mudança é real, e já foi medida. Existe algo em mover o corpo por um ambiente natural que acalma o sistema nervoso de um jeito que ficar em casa, mesmo fazendo o mesmo exercício, não consegue igualar.

O que o verde faz com você?

Quando você passa um tempo perto de árvores, água e céu aberto, seu corpo tende a baixar a guarda em relação ao estresse. Estudos encontraram níveis mais baixos de cortisol, o principal hormônio do estresse, além de batimentos cardíacos mais lentos e pressão arterial mais suave, depois de caminhadas em ambientes naturais, comparadas com o mesmo tempo em uma área urbana movimentada. Sua atenção também ganha uma pausa. O esforço constante e de baixo nível da vida na cidade, o trânsito, as telas, o barulho que precisa ser filtrado, exige que o cérebro fique concentrado o dia inteiro. Um ambiente natural deixa essa parte cansada da mente descansar, porque coisas suaves e que não exigem esforço, como o canto dos pássaros e as folhas se movendo, prendem sua atenção sem esgotá-la.

A caminhada em si importa tanto quanto a paisagem. Movimento e natureza ajudam cada um por conta própria, mas juntos parecem fazer mais do que qualquer um sozinho. Você está dando ao corpo aquilo pra que ele foi feito, se mover pelo mundo, no tipo de lugar em que ele foi feito pra isso.

O número que vale a pena saber

A parte animadora é o quão pouco isso exige. Um grande estudo publicado em 2019, com quase vinte mil pessoas, descobriu que quem passava pelo menos 120 minutos por semana na natureza tinha muito mais chances de relatar boa saúde e uma sensação de bem-estar do que quem não tinha nenhum contato com ela. Abaixo dessa marca de duas horas, o benefício praticamente não aparecia. Acima dela, se mantinha estável.

Aqui vai o detalhe mais gentil de tudo: não importava como você chegava a essas duas horas. Um passeio longo de domingo funcionava tão bem quanto várias caminhadas curtas espalhadas pela semana. Ou seja, você não precisa de um fim de semana livre nem de um parque nacional. Precisa de uns dezessete minutos por dia, ou de um par de caminhadas de meia hora, em qualquer verde que você conseguir alcançar.

Transformando isso em rotina

O objetivo é encaixar isso na vida que você já tem, não acrescentar mais um projeto ambicioso pelo qual você vai se sentir culpado quando não conseguir cumprir. Algumas formas de fazer isso pegar:

  • Junte com algo que você já faz. Atenda uma ligação de trabalho caminhando por uma quadra arborizada. Estacione na ponta mais distante do estacionamento e atravesse a faixa verde. Volte pra casa pelo caminho mais longo.
  • Deixe ser devagar. Isso não é um treino pra você encarar com força total. Passear no seu ritmo já conta. O importante é estar ao ar livre e em movimento, não bater uma meta de velocidade.
  • Às vezes, deixe o fone de ouvido de lado. Parte do que reequilibra você é ouvir o lugar de verdade, o vento, os pássaros, seus próprios passos. Deixe o mundo ser a trilha sonora de vez em quando.
  • Baixe a régua do que conta como "verde". Uma pracinha meio largada, uma fileira de árvores na calçada, uma horta comunitária, um caminho ao lado de um canal com mato e patos. Não precisa ser bonito pra fazer bem.

Nada disso pede muito de você, e é exatamente por isso que funciona. Você não precisa estar em forma. Não precisa de equipamento nenhum. Só precisa sair de casa e colocar um pé na frente do outro por um tempo.

Uma observação importante

Uma caminhada no parque faz bem pra quase todo mundo, e combina bem com o resto do cuidado que você tem consigo mesmo. Mas ela não é um tratamento para depressão ou transtorno de ansiedade, nem pretende ser. Se o seu desânimo ou a sua preocupação estão pesados, persistindo por dias, ou dificultando o dia a dia, por favor procure um médico ou um terapeuta. O tempo ao ar livre pode caminhar junto com esse cuidado e tornar os momentos difíceis um pouco mais suportáveis. Só não deveria carregar esse peso todo sozinho. Se você tem alguma condição de saúde que afeta sua capacidade de caminhar, converse com seu médico sobre o que é confortável pra você, e depois vá encontrar um pouco de verde, no seu próprio ritmo.

Fontes

  1. Scientific Reports (Nature) / NIH PMC, Spending at least 120 minutes a week in nature is associated with good health and wellbeing
  2. Harvard Health Publishing, Sour mood getting you down? Get back to nature
  3. American Psychological Association, Nurtured by nature

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