Pular para o conteúdo principal

Comer bem

Cafeína e ansiedade: como achar a linha entre uma boa xícara e a tremedeira

Cafeína e ansiedade provocam muitas das mesmas sensações no corpo. A partir de certo ponto, aquele mesmo café que te deixa alerta começa a te deixar ansioso, e esse ponto é diferente para cada pessoa. Veja como descobrir o seu próprio limite sem precisar abrir mão do que você ama.

Ferramentas gratuitas e baseadas em evidências para estresse, sobrecarga, relacionamentos, saúde e uma liderança firme. Um programa da KEEP CALM Inc., uma organização sem fins lucrativos. 501(c)(3) · EIN 33-2117386 Sobre

Legumes e frutas

Foto de Iñigo De la Maza no Unsplash

Existe uma versão da tarde que você talvez conheça bem. Você tomou um café no café da manhã, tudo bem. Depois um segundo para aguentar a reunião, também tudo bem. Então, por volta das duas da tarde, seu coração começa a bater um pouco mais rápido, suas mãos ficam formigando, e uma sensação baixa de apreensão se instala sem motivo que você consiga identificar. Você assume que algo está errado. Muitas vezes, o algo está na sua caneca.

A cafeína é o estimulante mais consumido no mundo, e para a maioria das pessoas, na maior parte do tempo, ela é inofensiva e realmente agradável. Ela desperta, aguça o foco e faz a manhã parecer que tem para onde ir. Mas ela funciona acelerando o sistema nervoso, e um corpo que já está tenso nem sempre precisa de mais aceleração. A partir de certo ponto, a mesma substância que deixa você alerta começa a deixar você ansioso. O truque é descobrir onde fica esse ponto para você, porque ele fica num lugar diferente para cada pessoa.

O que a cafeína realmente faz?

Seu cérebro produz uma substância chamada adenosina, que se acumula lentamente ao longo do dia e faz você sentir sono. A cafeína ocupa os mesmos receptores que a adenosina usaria e bloqueia esse sinal, então a sensação de cansaço nunca chega a se instalar de fato. Esse é o efeito de energia. Ao mesmo tempo, a cafeína estimula o sistema de estresse do corpo, elevando um pouco a frequência cardíaca e liberando uma pontinha de adrenalina.

Num corpo tranquilo, isso é uma mudança de ritmo agradável. Mas a ansiedade e a cafeína produzem muitas das mesmas sensações físicas: pulso acelerado, aperto no peito, agitação, respiração curta. Então, quando você exagera, seu corpo manda sinais que parecem exatamente medo, e sua mente, sempre prestativa, sai procurando algo para temer. Você não está imaginando essa apreensão. Você está apenas sentindo um efeito químico e interpretando como emoção.

É por isso que a cafeína pode transformar um dia estressante em um dia genuinamente ansioso. Ela não inventa a preocupação. Ela aumenta o volume de um corpo que já está no limite.

O número que a maioria dos especialistas indica

Para adultos saudáveis, a agência americana de alimentos e medicamentos (FDA) cita cerca de 400 miligramas de cafeína por dia como uma quantidade geralmente não associada a efeitos negativos. Isso equivale a mais ou menos duas a três xícaras de café de 350 ml, dependendo da intensidade do preparo. Vale a pena saber o que realmente tem nas suas bebidas, porque os números surpreendem:

  • Uma xícara de 240 ml de café coado tem cerca de 80 a 100 miligramas.
  • Uma xícara de 240 ml de chá preto ou verde tem cerca de 30 a 50 miligramas.
  • Uma lata de 350 ml de refrigerante com cafeína tem cerca de 30 a 40 miligramas.
  • Os energéticos variam muito, de 40 a 250 miligramas por 240 ml, e as latas costumam ser maiores do que isso.

Aqui está a parte que merece atenção. Esse número de 400 miligramas é um teto para o adulto saudável médio, não uma meta, e definitivamente não é o seu limite pessoal. Muita gente já começa a sentir agitação e ansiedade bem antes disso. Algumas pesquisas encontraram que quantidades de até 300 miligramas por dia já podem aumentar a ansiedade e prejudicar o sono em pessoas mais sensíveis. O seu número pode ser 200. Pode ser uma xícara só. Nenhum desses casos é um fracasso.

Existe um grupo com um teto oficial diferente, e é bom guardar esse na memória. Na gravidez, o serviço de saúde do Reino Unido (NHS) recomenda no máximo 200 miligramas de cafeína por dia. O American College of Obstetricians and Gynecologists chega à mesma conclusão, constatando que o consumo abaixo de 200 miligramas por dia não parece ser um fator relevante para aborto espontâneo ou parto prematuro. Pelos números acima, 200 miligramas equivalem a mais ou menos duas xícaras de 240 ml de café coado, e uma xícara grande de cafeteria já pode usar quase todo esse limite. Então, se você está gravida, 200 é o número para guardar, não 400, e vale a pena contar também o chá, o refrigerante e o chocolate, porque eles somam sem você perceber. Sua obstetra ou obstetriz pode te dizer como isso se aplica ao seu caso.

Por que o seu limite não é o limite de outra pessoa?

As pessoas processam cafeína em velocidades muito diferentes, e boa parte disso é simplesmente genética. Seu fígado tem uma enzima que quebra a cafeína, e algumas pessoas têm uma versão rápida dela, outras uma versão lenta. Quem metaboliza rápido pode tomar um espresso depois do jantar e dormir como uma pedra. Quem metaboliza lento e toma o mesmo espresso pode ficar encarando o teto à uma da manhã.

Outras coisas também deslocam esse limite. Menos peso corporal, certos medicamentos, a gravidez e algumas condições de saúde mudam como a cafeína age em você. Hormônios e níveis de estresse também importam. E se você vive com ansiedade ou pânico, talvez já saiba que a cafeína e o seu sistema nervoso têm uma relação tensa, porque doses altas de cafeína podem provocar ansiedade diretamente e até imitar a sensação física de uma crise de pânico.

A conclusão é que comparar sua tolerância com a de um amigo não serve para nada. O fato de o seu colega tomar quatro xícaras e parecer bem não diz nada sobre o que o seu corpo consegue suportar.

Como encontrar o seu próprio limite?

Você não precisa de um laboratório. Precisa de um pouco de atenção honesta durante uma ou duas semanas.

  1. Observe os sintomas, não só as xícaras. Por alguns dias, anote quando você sente agitação, ansiedade, inquietação ou o coração acelerado, e o que você bebeu antes. Os padrões aparecem rápido. Muita gente descobre que a ansiedade da tarde acompanha, de forma confiável, o segundo ou terceiro café.
  2. Adiante o seu horário limite. A cafeína permanece no corpo por horas, então um café no meio da tarde ainda pode estar no seu sistema na hora de dormir, prejudicando o sono mesmo que você consiga pegar no sono sem problema. O sono ruim então deixa você mais ansioso no dia seguinte, o que faz você buscar mais cafeína. Definir um horário limite rígido, muitos profissionais sugerem algo em torno do início da tarde, quebra esse ciclo.
  3. Coma junto. Tomar cafeína junto com comida deixa a absorção mais lenta e torna a queda de energia agitada menos provável do que tomar de estômago vazio.
  4. Ajuste pela sensação, não por regra. Se uma certa quantidade te deixa elétrico demais, essa é a sua resposta. Diminua uma xícara e veja como o dia flui. Você tem permissão para ficar onde o seu corpo se sentir confortável.

Se você quiser diminuir o consumo

Parar de repente é difícil, porque a cafeína cria dependência física. Se você parar abruptamente, pode sentir dor de cabeça, fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração, geralmente começando dentro de um dia e durando até uma semana. Esse desconforto é também o motivo pelo qual tanta gente desiste de diminuir. Elas se sentem mal, culpam a falta de cafeína e decidem que não vale a pena.

Reduza gradualmente. O jeito mais tranquilo é ir cortando pouco a pouco, em vez de tudo de uma vez. Misture uma bebida com metade descafeinado, depois, depois de alguns dias, aumente um pouco mais essa proporção, reduzindo primeiro o segundo café antes de tocar no primeiro. Troque um café da tarde por chá, que tem menos cafeína, ou por água com gás, se o que você realmente quer é o ritual. Feito com calma, a maioria das pessoas quase não sente a abstinência. E muita gente descobre que, depois de passar por isso, se sente mais estável e mais calma do que quando vivia numa pilha de xícaras.

Nada disso quer dizer que o café é o vilão. Para a maioria das pessoas, uma ou duas xícaras são um prazer real e não trazem nenhum mal. O objetivo não é abandonar algo que você ama. É conhecer o seu próprio limite o suficiente para que a energia da manhã não se transforme, silenciosamente, na ansiedade da tarde.

Quando você deve conversar com alguém?

Se você já reduziu a cafeína e ainda lida com ansiedade frequente, coração acelerado ou momentos de pânico, isso merece uma conversa de verdade com um médico, e não só mais um ajuste no seu café. A ansiedade persistente tem muitas causas, e a cafeína é apenas uma delas. Um médico pode ajudar a entender o que está acontecendo e o que realmente ajudaria. Se você tem alguma condição cardíaca, está gravida, toma medicamentos regularmente ou sente que a cafeína tem um efeito desproporcional sobre você, vale a pena conversar com o seu médico antes de fazer grandes mudanças. Você não precisa decifrar o seu sistema nervoso sozinho.

Fontes

  1. U.S. Food and Drug Administration, Spilling the Beans: How Much Caffeine is Too Much?
  2. Mayo Clinic, Caffeine: How much is too much?
  3. Cleveland Clinic, How To Quit Caffeine Without a Headache
  4. UCLA Health, Is caffeine making you anxious? 5 things to know
  5. NHS, Foods to avoid in pregnancy
  6. American College of Obstetricians and Gynecologists, Moderate Caffeine Consumption During Pregnancy

Grátis, em 36 idiomas. Uma organização sem fins lucrativos, sem anúncios, sem paywall, e nunca vendemos seus dados.

Conheça a biblioteca Doar