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Comer Bem

Comer emocional: uma abordagem mais gentil para um hábito muito humano

Comer por causa da emoção é um hábito, não um defeito, e hábitos respondem muito melhor à compreensão do que à punição. Recorrer à comida quando você está estressado, triste ou entediado não é uma falha de caráter. É uma forma de lidar com o que sente, e ela pode ser acolhida com curiosidade, não com vergonha. Aqui está um jeito mais gentil de suavizar esse hábito.

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Fotografia de ingredientes em fatias

Foto de Yu Hosoi no Unsplash

Costuma ser assim. O dia foi puxado. Você nem está com tanta fome, mas se pega parado na frente do armário, comendo alguma coisa rápido, quase sem sentir o gosto, e se sentindo um pouco pior depois. Se isso soa familiar, você está em ótima companhia, digo, muito comum. Comer para aliviar um sentimento é uma das coisas mais comuns que as pessoas fazem, e se cobrar por isso nunca resolveu nada.

Então vamos deixar a culpa de lado. Comer por emoção é um hábito, não um defeito, e hábitos respondem muito melhor à compreensão do que à punição.

O que está acontecendo, de verdade?

Quando você está estressado ou chateado, seu corpo procura alívio, e a comida é uma fonte rápida e confiável disso. Alguns alimentos realmente ativam um breve interruptor de conforto no cérebro. O problema é que o alívio é curto, e muitas vezes deixa um segundo sentimento para trás, uma certa culpa ou peso que pode te levar direto de volta ao armário. Esse ciclo, se sentir mal, comer, se sentir mal de novo, é a parte que vale a pena interromper.

O objetivo aqui não é nunca mais comer por conforto. Comida e emoção sempre estiveram entrelaçadas, e um pedaço de bolo num dia difícil faz parte de ser humano. O objetivo é garantir que a comida não seja sua *única* ferramenta, para que você escolha usá-la em vez de ser levado a ela.

Fique curioso sobre seus gatilhos

O primeiro passo mais útil também é o mais gentil. Antes de mudar qualquer coisa, apenas observe. Durante uma ou duas semanas, anote quando você busca comida fora das refeições, e o que estava sentindo logo antes. Sem julgamento, só dados.

A maioria das pessoas encontra um padrão bem rápido. Pode ser aquele momento logo depois do trabalho, ou tarde da noite, ou uma ligação de alguém em especial, ou simplesmente tédio numa tarde parada. A Cleveland Clinic sugere observar se a vontade está ligada a um estresse pontual ou a algo mais contínuo, porque cada um pede um tipo diferente de cuidado.

Uma pausa que muda as coisas

Aqui vai um pequeno hábito que faz uma diferença surpreendente. Quando sentir aquela vontade de comer, pare e se pergunte o quanto seu corpo está fisicamente com fome, numa escala de quase nada até faminto.

Se seu corpo estiver realmente com fome, coma, e aproveite. Se a fome for baixa e o sentimento for alto, esse é o seu sinal de que algo além do estômago está pedindo atenção. A Cleveland Clinic chama isso de uma checagem rápida de fome antes de comer, uma forma de diferenciar fome física de fome emocional. A fome física vai crescendo aos poucos e é satisfeita por praticamente qualquer alimento. A fome emocional costuma surgir de repente, se fixa em uma comida específica de conforto, e não é realmente saciada ao comer.

Monte um pequeno cardápio de outros conforto

Se a comida tem sido sua principal forma de se acalmar, o gesto mais gentil é te dar mais opções, não tirar a única que você tem. Quando o sentimento aparecer, você quer ter outra coisa por perto, fácil de alcançar.

  • Saia para uma caminhada curta, mesmo que seja só ao redor do quarteirão.
  • Faça uma bebida quente e realmente fique com ela por alguns minutos.
  • Mande uma mensagem ou ligue para alguém, mesmo que rápido. Conexão suaviza a tensão.
  • Faça algumas respirações lentas, ou alongue ombros e pescoço.
  • Coloque uma música e se mexa, ou apenas feche os olhos até ela terminar.
  • Escreva o que está sentindo, em palavras simples, sem se policiar.

Mantenha essa lista em algum lugar que você vá ver, no celular ou na geladeira. Na hora do aperto, decidir é difícil, então um cardápio pronto ajuda você a buscar outra coisa além da gaveta de salgadinhos.

Organize seu dia para que a vontade seja menor

Boa parte do comer emocional é potencializada pelo cansaço. É muito mais difícil segurar uma vontade sem dormir bem e com o tanque vazio.

  1. Coma o suficiente nas refeições. Pular ou comer pouco durante o dia deixa você mais vulnerável a beliscar à noite. Refeições regulares e equilibradas deixam as vontades mais quietas.
  2. Cuide do seu sono. O cansaço desgasta sua paciência com qualquer sentimento, e com a comida também.
  3. Faça da comida de conforto uma escolha, não uma emboscada. Se você mantém um lanche gatilho em casa, sirva uma porção numa tigelinha em vez de comer direto do pacote. Você ainda pode comer. Só que agora é de propósito.
  4. Reserve pausas de verdade. Alguns momentos genuínos de descanso no dia, um hobby, um tempo só seu, diminuem o estresse de fundo que alimenta o hábito.

Seja paciente e gentil com você mesmo

Você ainda vai comer por emoção algumas vezes. Isso não é uma falha do plano. Quando acontecer, pule o ciclo de culpa, porque a culpa geralmente é o que alimenta a próxima vez. Perceba, seja gentil com você mesmo, e siga para sua próxima refeição normal. Um lanche não desfaz seu progresso, mas uma semana de autocrítica pode, sim, travar tudo silenciosamente.

Quando buscar mais apoio?

Se comer por emoção parece estar fora do seu controle, se está ligado a uma depressão, ansiedade ou estresse contínuos, ou se sua relação com a comida traz sofrimento real, esse é um bom motivo para conversar com um profissional. Um médico, um nutricionista ou um terapeuta pode te ajudar a entender o que está por trás desse padrão e construir estratégias que façam sentido para você. Pedir ajuda não é admitir fraqueza. É uma das atitudes mais respeitosas que você pode ter consigo mesmo, e você não precisa resolver isso sozinho. Se quiser um ponto de partida, Get help now tem linhas gratuitas e confidenciais no seu próprio país e idioma, e Where else to turn lista opções de terapia e organizações de apoio para o caminho mais longo.

Fontes

  1. Cleveland Clinic, 5 Strategies To Help You Stop Emotional Eating
  2. Mayo Clinic, Weight loss: Gain control of emotional eating

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