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LIDERANÇA · PREVENIR O ESGOTAMENTO

Como perceber o esgotamento em você antes que ele perceba você

O esgotamento raramente aparece como uma única semana ruim. Ele se infiltra. Aqui está como ler os primeiros sinais em você mesmo, o que a pesquisa diz que de fato está acontecendo, e o que fazer depois de nomeá-lo.

Mulher de camisa de gola branca e vermelha em pé ao lado de uma janela de vidro

Foto de Siyuan no Unsplash

Burnout é fácil de ver nos outros e quase impossível de ver em você mesmo. Você percebe quando um colega fica quieto, para de dar ideias, começa a responder tudo com aquele meio-sorriso cansado. Na sua própria vida, esse mesmo processo parece só um período mais puxado de trabalho. Você não está desmoronando. Só está cansado. Vai descansar quando o trimestre acabar, quando o lançamento sair, quando as coisas se acalmarem.

Elas não se acalmam. Essa é a armadilha.

As pessoas mais propensas a isso costumam ser as mais dedicadas, aquelas que continuam aparecendo e absorvendo cada vez mais. Se você é o tipo de pessoa que lê um artigo sobre como identificar o burnout, provavelmente também é o tipo que continua empurrando, mesmo estando no meio dele. Por isso vale a pena fazer esse exercício com calma e honestidade, enquanto você ainda tem espaço para agir.

O que é o burnout, na verdade?

Ajuda saber que o burnout tem uma forma real, já reconhecida. Não é só uma palavra dramática para "estou cansado". Em 2019, a Organização Mundial da Saúde o descreveu formalmente na sua classificação de doenças como uma síndrome resultante do estresse crônico no trabalho que não foi bem administrado. É importante notar que eles ligam isso especificamente à sua vida profissional, não a você como um todo, e deixam claro que não se trata de uma doença médica. É um padrão reconhecível.

Esse padrão tem três partes, mapeadas pela primeira vez pela psicóloga Christina Maslach, que estuda burnout desde os anos 1970 e criou a medida mais usada até hoje. Os três sinais aparecem juntos:

  • Exaustão. Não aquele cansaço bom de um dia de trabalho puxado, mas um esgotamento que o sono parece não tocar. Você acorda já sem energia.
  • Cinismo e distanciamento. Você começa a se afastar do trabalho e das pessoas nele. Coisas que antes importavam agora parecem sem sentido. Você faz tudo no automático.
  • Uma sensação de já não ser bom naquilo. Uma dúvida crescente sobre a própria competência, a impressão de que nada do que você faz é suficiente, mesmo quando o trabalho está, objetivamente, bem feito.

Você pode sentir um desses por um tempo e ainda estar bem. É quando os três se instalam juntos que você está diante de um burnout, e não só de uma fase difícil.

Os sinais para observar em você mesmo

Os sinais iniciais são mais silenciosos do que a versão dos livros, e costumam aparecer no corpo e no comportamento antes que você consiga nomeá-los em voz alta. Alguns que vale a pena levar a sério:

Você está mais irritado do que o normal, e por coisas cada vez menores. A paciência que você tinha para uma reunião mal conduzida ou um e-mail chato simplesmente desapareceu.

O trabalho que antes tinha sentido agora parece só uma lista de tarefas. Você ainda consegue fazer. Só não sente mais nada com isso.

Você está cansado de um jeito que descanso não resolve. Você aproveita o fim de semana, dorme até mais tarde, e a segunda-feira chega tão pesada quanto sempre.

Tarefas pequenas parecem desproporcionalmente difíceis. Responder uma única mensagem fica na lista por três dias, não porque você é preguiçoso, mas porque o tanque está vazio.

Você foi deixando de fazer, sem perceber, as coisas que te recarregavam. A caminhada, a academia, os amigos, o hobby, o almoço fora da tela. Foram caindo um a um, e você quase não notou.

Você está usando mais de alguma coisa para aliviar a tensão, uma bebida extra, mais tempo de rolagem no celular, mais açúcar, mais anestesia.

Você já está com pavor de segunda-feira ainda no domingo à tarde, toda semana, não só nas mais difíceis.

Nenhum desses sinais, isoladamente, significa que você está em burnout. Todo mundo tem fases ruins. O que importa é o conjunto e a duração. Se vários desses sinais persistem por semanas, não dias, e vão piorando em vez de melhorar, esse é o sinal de alerta. A orientação da Mayo Clinic sobre burnout no trabalho aponta para o mesmo tipo de autoavaliação, e acrescenta uma pergunta útil, mais visceral: você ficou cínico ou crítico no trabalho de um jeito que não é do seu feitio, e está se arrastando para chegar e tendo dificuldade de começar depois que chega?

Por que é tão difícil perceber em nós mesmos?

Existem boas razões para você ser o último a saber.

O processo é gradual. O burnout não chega de uma vez, ele se acumula, e você vai se adaptando a cada nova normalidade tão bem que perde a referência de como era antes. Você esquece para o que costumava ter energia.

Muitas vezes a cultura recompensa os primeiros estágios. O excesso de esforço que antecede o burnout parece, de fora, dedicação. Você é elogiado justamente pelos hábitos que estão te desgastando.

E tem a autoculpa. Muita gente que passa por burnout acha que é falha pessoal, que só não é forte ou organizada o suficiente. A pesquisadora de burnout Kandi Wiens, em um artigo para a Harvard Business Review, contesta firmemente essa ideia. Sua visão é direta e vale guardar: o burnout geralmente é sobre o trabalho, não uma falha em você. Na maioria das vezes, é um sinal sobre as condições em que você está trabalhando, não um veredito sobre seu caráter. Essa mudança de olhar importa, porque a vergonha mantém as pessoas paradas e caladas, e o caminho para sair do burnout começa quando você consegue encará-lo de frente.

O que fazer depois de nomear isso?

Perceber já é a maior parte da batalha, mas não é tudo. Algumas atitudes que realmente ajudam, mais ou menos nessa ordem:

  1. Diga isso para alguém. Em voz alta, para alguém em quem você confia. Nomear isso para outra pessoa quebra o encanto silencioso do "estou bem, só ocupado" e muitas vezes é a primeira vez que você realmente escuta o quão grave a situação ficou.
  2. Encontre a verdadeira causa. O burnout nasce de condições específicas, geralmente uma mistura de trabalho em excesso, pouco controle sobre como você o faz, injustiça, falta de comunidade ou um conflito entre o trabalho e seus valores. Seja específico sobre qual dessas está alimentando o seu. Um cansaço vago é difícil de resolver. Uma causa nomeada te dá algo para agir.
  3. Recupere uma coisa que você abandonou. Escolha uma única coisa que antes te recarregava e traga de volta, de propósito, ainda esta semana. Uma caminhada. Um almoço fora da tela. Você não está tentando reformular sua vida inteira. Está provando para si mesmo que o tanque pode ser recarregado.
  4. Recupere um pouco de controle. O controle é uma das melhores defesas contra o burnout. Encontre um cantinho do seu trabalho onde você possa decidir o como, o quando ou o não. Até uma pequena escolha recuperada ajuda.
  5. Proteja a recuperação, não só o descanso. Um dia de folga em que você fica meio de olho nas mensagens não é recuperação de verdade. Recuperação de verdade é se desconectar por tempo suficiente para o seu sistema realmente desacelerar. Proteja pelo menos parte desse tempo com firmeza.

Se você gerencia pessoas, existe uma camada extra aqui. O seu próprio burnout não fica só com você. Um líder esgotado e cínico define o clima para todo mundo abaixo dele, e as equipes leem o estado do gestor mais do que suas palavras. Perceber isso em você mesmo, com antecedência, também é uma forma de cuidar deles.

Quando buscar mais ajuda?

Autoconhecimento e algumas mudanças são suficientes para muita gente que percebe isso a tempo. Às vezes não são, e isso não é uma falha de força de vontade.

Se a exaustão e o desânimo já duram meses, se você perdeu o interesse em coisas bem além do trabalho, se o seu sono ou apetite mudaram, se você se sente sem esperança, ou se a anestesia começou a te preocupar, isso já vai além de um burnout comum. Burnout e depressão podem parecer parecidos por dentro e às vezes se sobrepõem, e não são algo para resolver sozinho. Um médico ou terapeuta pode te ajudar a entender a diferença e descobrir o que você realmente precisa. Pedir ajuda não é exagero. É a mesma coisa que você diria para um amigo na sua situação fazer.

A boa notícia silenciosa é que o burnout, quando percebido e nomeado, é algo do qual você pode se recuperar. A parte mais difícil é se permitir ver isso enquanto ainda há tempo para agir. Você acabou de fazer exatamente isso.

Fontes