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CALMA AGORA · MOVIMENTO

Caminhar para acalmar a mente

Caminhar acalma a mente porque interrompe a quietude da qual um pensamento preocupado se alimenta. Uma caminhada é a coisa mais comum do mundo, e é exatamente por isso que passa despercebida. Feita com um pouco de intenção, ela pode aquietar uma cabeça acelerada, afrouxar um nó de preocupação e devolver um espaço para pensar.

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Um caminho arborizado com luz do sol filtrada e sombras.

Foto de Alessandro Santoro no Unsplash

Quando os pensamentos ficam girando e você não consegue fazer com que parem, a última coisa que parece atraente é uma caminhada. Ela parece pequena demais para um sentimento tão grande. Você quer algo que resolva, e dar uma volta no quarteirão não parece resolver nada.

Vá mesmo assim. Não porque isso vai resolver o problema, mas por causa do que isso faz com quem está carregando o problema.

Uma mente preocupada tende a se alimentar da quietude. Você fica parado com um pensamento, o pensamento fica mais alto, você fica parado mais um pouco, ele fica ainda mais alto. Caminhar interrompe isso. Dá ao seu corpo algo para fazer e aos seus olhos algo para observar, e em algum ponto desse ritmo, o aperto vai afrouxando. As pessoas sabem disso há muito tempo. O interessante é ver como isso se confirma quando pesquisadores realmente medem.

O que uma caminhada faz com uma cabeça cheia?

Existe um tipo de pensamento que causa dano de verdade: remoer o mesmo pensamento negativo sem parar, sem sair do lugar. Os psicólogos chamam isso de ruminação, e ela está fortemente ligada à ansiedade e à depressão. É aquela conversa que volta na sua cabeça às 2 da manhã. É a preocupação que não larga do seu pé.

Uma equipe de Stanford testou se caminhar poderia mudar isso. Eles mandaram pessoas caminharem por 90 minutos, metade por uma área natural tranquila e arborizada, metade por uma rua movimentada, e depois observaram tanto o quanto essas pessoas estavam ruminando quanto o que estava acontecendo no cérebro delas. Quem caminhou na natureza voltou ruminando menos, e exames mostraram uma atividade mais tranquila numa região do cérebro ligada a esse tipo de pensamento repetitivo. Quem caminhou ao lado do trânsito não teve o mesmo alívio. Movimento ajudou. Movimento em meio ao verde ajudou mais ainda.

Essa segunda parte vale a pena guardar, mas não deixe que ela vire desculpa para não sair. Uma caminhada por uma rua da cidade ainda é melhor do que ficar no sofá. Se você conseguir se direcionar a um parque, uma rua arborizada, algo perto da água ou até um simples pedaço de céu, aproveite.

Por que o corpo se acalma quando os pés se movem?

Parte do que acontece é biologia pura. Um movimento constante e ritmado tira seu sistema nervoso do estado de alerta e o leva para algo mais calmo. Sua respiração fica mais profunda sozinha. Seu coração encontra um ritmo mais lento e estável. A atividade física também muda a química cerebral ligada ao humor, incluindo os mensageiros que o corpo usa para se sentir mais estável e tranquilo. Você não precisa se esforçar nem suar para conseguir isso. Um ritmo tranquilo já é suficiente.

As evidências aqui são sólidas, não apenas esperança. Uma grande revisão reuniu cerca de 75 estudos e descobriu que caminhar aliviou de forma significativa tanto os sintomas de depressão quanto os de ansiedade, e que isso se manteve verdadeiro em todos os cenários. Dentro ou fora de casa. Sozinho ou em grupo. Sessões longas ou curtas. Você não precisa da versão perfeita. Precisa da versão que você realmente vai fazer.

E a dose necessária é mais leve do que as pessoas imaginam. Pesquisadores descobriram que algo em torno de 75 minutos de caminhada rápida por semana, pouco mais de dez minutos por dia, já estava associado a um risco visivelmente menor de depressão. A Mayo Clinic reforça a mesma ideia de forma mais simples: atividades regulares como caminhar, não só programas formais de exercício, podem melhorar o seu humor. A régua é baixa. Essa é a boa notícia escondida em tudo isso.

Transformando uma caminhada em algo que realmente acalma

Existe uma diferença entre caminhar remoendo os pensamentos e caminhar para sair deles. Mesmas pernas, mesma calçada, experiência bem diferente. Algumas pequenas escolhas mudam qual das duas você vive.

  1. Deixe o looping para trás. Se o celular está te alimentando com as mesmas notícias, mensagens e barulhos que te deixaram agitado, a caminhada não consegue fazer o trabalho dela. Tente ir sem podcast e sem playlist, pelo menos nos primeiros minutos.
  2. Deixe o olhar se abrir. Quando estamos ansiosos, o olhar se estreita e trava, quase como uma visão em túnel. Observar de propósito a cena inteira ao redor, o outro extremo da rua, o topo das árvores, envia ao corpo um sinal silencioso de que não há perigo imediato ali.
  3. Nomeie o que você realmente vê. Não os pensamentos, as coisas. Uma porta vermelha. Um cachorro. O chão molhado. Três pombos. Isso puxa você de volta da repetição dentro da cabeça e te traz de volta para a rua onde você está.
  4. Combine sua respiração com seus passos. Inspire por alguns passos, expire por mais alguns. Uma expiração um pouco mais longa é uma das formas mais confiáveis de dizer ao sistema nervoso para relaxar.
  5. Não meça isso. Isso não é um treino para vencer. Não existe meta de passos nem ritmo a bater. O único objetivo é voltar um pouco mais tranquilo do que quando saiu.

E se você não puder sair de casa?

Mau tempo, agenda lotada, um corpo que dói, um bairro que não parece seguro depois que escurece. Muitas coisas reais atrapalham. Caminhar ainda conta mesmo quando é pequeno e dentro de casa. Ande de um lado para o outro no corredor. Dê voltas lentas pela cozinha enquanto a água esquenta. Percorra o comprimento da sua casa algumas vezes enquanto respira devagar. A pesquisa que mostrou que caminhar melhora o humor não exigia campos abertos. Exigia apenas movimento.

Uma caminhada curta também pode ser uma ponte entre dois momentos difíceis, em vez de uma cura para qualquer um deles. Antes de uma conversa que você está temendo. Depois de uma que não foi bem. No intervalo entre o fim do trabalho e a porta de casa, para você não levar o dia inteiro para dentro. Dois ou três minutos já bastam para mudar a química com a qual você chega.

O que uma caminhada não consegue carregar?

Caminhar é uma ferramenta que ajuda a estabilizar, e é genuinamente boa. Mas não é tratamento, e não consegue segurar as coisas mais pesadas sozinha.

Se o desânimo, o pavor ou a sensação de desesperança se instalaram e não vão embora, se você perdeu o interesse em coisas que antes importavam para você, se o sono ou o apetite andam bagunçados há semanas, ou se está ficando difícil atravessar os dias comuns, isso vale a pena levar a um médico ou terapeuta. Pedir ajuda não é sinal de que a caminhada falhou. Alguns pesos são feitos para serem carregados com alguém, não caminhados sozinho. Um profissional pode ajudar você a entender o que está acontecendo e o que realmente ajudaria, e a caminhada pode existir ao lado disso, não no lugar disso.

Se em algum momento você se sentir inseguro em relação a si mesmo, ou sentir que a dor é maior do que você consegue suportar, por favor, procure alguém imediatamente. Você merece um apoio à altura do que está sentindo, e esse apoio existe.

Mas, para a maioria dos dias difíceis comuns, o movimento é mais simples do que parece. Calce o tênis. Abra a porta. Deixe o resto te alcançar em algum ponto do quarteirão.

Fontes

  1. PNAS, Nature experience reduces rumination and subgenual prefrontal cortex activation
  2. National Center for Biotechnology Information, The Effect of Walking on Depressive and Anxiety Symptoms: Systematic Review and Meta-Analysis
  3. Harvard Health, Can a little bit of exercise lower your depression risk?
  4. Mayo Clinic, Depression and anxiety: Exercise eases symptoms

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