Se você está em crise ou pensando em se machucar, você não está sozinho. Nos EUA, ligue ou mande mensagem para 988 (Suicide & Crisis Lifeline, 24/7), mande HOME para 741741 (Crisis Text Line), ou ligue para 911 em uma emergência. Em qualquer lugar do mundo, o findahelpline.com lista linhas de apoio gratuitas e confidenciais no seu próprio país e no seu próprio idioma. Se você estiver em perigo imediato, ligue para o número de emergência da sua região.
Toda relação próxima tem discussões. As boas também. Se você já saiu de uma briga se perguntando se existe algo errado entre vocês dois, aqui vai um alívio para começar: o conflito em si não é o problema. Casais que quase nunca discutem não são necessariamente mais próximos. Às vezes eles só pararam de dizer as coisas difíceis em voz alta.
O que realmente separa relações que duram das que se desgastam é o *jeito* de discutir. Décadas de pesquisa do psicólogo John Gottman, que observou milhares de casais discutindo em laboratório e acompanhou como eles se saíram anos depois, apontam sempre para a mesma conclusão. É o *estilo* do conflito, não a quantidade, que mostra para onde um casal está indo.
Então isso não é sobre nunca brigar. É sobre aprender a brigar de um jeito que não deixa marca.
Os quatro comportamentos que fazem estrago
A equipe de Gottman ficou impressionantemente boa em prever quais casais iam se separar, em parte observando quatro comportamentos específicos durante as discussões. Ele os chamou de Os Quatro Cavaleiros, e depois que você aprende a reconhecê-los, vai vê-los em todo lugar: nas brigas dos outros e nas suas próprias.
- Crítica. Não é uma reclamação sobre algo que aconteceu, mas um ataque a quem seu parceiro *é*. "Você esqueceu de ligar" é uma reclamação. "Você nunca pensa em ninguém além de você mesmo" é crítica. Uma aponta para um comportamento. A outra aponta para o caráter.
- Desprezo. Rolar os olhos, o sarcasmo, a zombaria, a frieza de falar de cima para baixo com alguém que você ama. Gottman chama o desprezo de o maior preditor isolado de divórcio. É corrosivo porque diz, por trás das palavras, *eu te desprezo.*
- Defensividade. Responder a uma preocupação com desculpas ou um contra-ataque. "Bom, eu não teria feito isso se você não tivesse..." Parece autoproteção. Para a outra pessoa, chega como *nada disso é responsabilidade minha.*
- Fechamento. Ficar em silêncio, se desligar, sair da sala na cabeça mesmo que não com o corpo. Muitas vezes é o que acontece depois que alguém fica tão sobrecarregado que não consegue absorver mais nada.
Se você reconheceu alguns desses comportamentos em você, não está tudo perdido. Quase todo mundo faz isso sob estresse. Vale a pena nomeá-los com precisão justamente porque cada um tem um oposto que você pode praticar.
Comece suave, ou nem comece
Gottman descobriu algo marcante sobre como as discussões começam. Os primeiros três minutos tendem a decidir tudo. Conversas que abrem com uma acusação quase sempre terminam mal, e raramente se recuperam de uma abertura áspera, não importa quão razoável seja o ponto por trás dela.
A solução é o que os terapeutas chamam de início suave. Você descreve a situação, diz como se sente e pede o que precisa, sem começar culpando.
Compare estas duas aberturas:
"Você me deixou lidar com tudo de novo. Você sempre faz isso."
"Eu me senti muito sozinha com a louça e as crianças hoje. Podemos pensar juntos em como organizar as noites?"
Mesma frustração. Portas completamente diferentes. A primeira coloca seu parceiro no banco dos réus. A segunda o convida para o seu lado da mesa.
É aqui que a linguagem do "eu" ganha sua reputação. Não é uma frase mágica nem um clichê de terapia. Um estudo publicado no *Journal of Experimental Social Psychology* testou isso diretamente e descobriu que frases construídas em torno do "eu" tinham menos chance de provocar uma reação defensiva do que o mesmo conteúdo formulado com "você". A versão mais eficaz fazia duas coisas ao mesmo tempo: falava a partir da própria experiência *e* reconhecia a da outra pessoa. Algo como: "Eu sei que você teve um dia pesado no trabalho, e ainda assim eu me senti sozinha cuidando de tudo." É possível manter sua posição e a humanidade do outro no mesmo fôlego.
E se o seu corpo sequestra a conversa?
Existe um momento, em algumas brigas, em que você para de conseguir pensar. O coração dispara, o rosto esquenta, e qualquer coisa que seu parceiro disga depois parece mais um ataque, mesmo quando não é. Gottman chama isso de flooding, ou "inundação emocional". É uma resposta ao estresse, não um defeito de caráter, e uma vez que ela começa, uma conversa de verdade praticamente sai de cena. Você não está mais resolvendo o problema. Está sobrevivendo.
O importante é saber que essa inundação leva um tempo para passar. Seu corpo precisa de cerca de vinte minutos para que os hormônios do estresse baixem, às vezes mais. Insistir na conversa não funciona. Você só vai dizer coisas pelas quais depois vai precisar se desculpar.
Então crie uma saída antes de precisar dela.
- Combinem um sinal de pausa com antecedência. Uma palavra, um gesto, qualquer coisa que os dois respeitem sem discutir se ela é "merecida". Decidir isso em um momento calmo é muito mais fácil do que negociar no meio da briga.
- Diga que você vai voltar. Uma pausa não é fechamento. A diferença é a promessa. "Preciso de vinte minutos, e depois eu quero terminar essa conversa" mostra ao seu parceiro que você está se afastando do fogo, não abandonando ele.
- Se acalme de verdade. Não use a pausa para montar seus argumentos. Caminhe, respire devagar, faça algo com as mãos. O objetivo é deixar o corpo saír do estado de alerta para que o julgamento volte a funcionar.
- Volte quando disse que voltaria. É essa parte que torna tudo confiável. Se "preciso de um minuto" já significou, no passado, "essa conversa acabou", o sinal perde a força. Cumprir a promessa é o que torna possíveis as próximas pausas.
A American Psychological Association dá quase o mesmo conselho para a ira em geral: perceba os primeiros sinais, se afaste antes de explodir, e volte para terminar depois de se acalmar. Se afastar não é perder a discussão. É proteger a relação da pior versão de você.
O reparo é o jogo todo
Aqui vai a parte que deve tirar um pouco de peso das costas. Você vai errar nisso. Todo mundo fica áspero, defensivo ou frio de vez em quando. Os casais que se saem bem não são os que nunca deslizam. São os que percebem e voltam atrás.
Gottman também tem um nome para isso: tentativas de reparo. Qualquer pequeno gesto que impede que as coisas saiam do controle. Pode ser carinhoso ou pode ser bobo. "Podemos começar de novo?" "Estou ficando alterado e não quero isso." Uma mão no ombro. Uma piada antiga no momento exatamente errado, e por isso mesmo certo. Ele descobriu que a capacidade de um casal de fazer e aceitar esses pequenos reparos era um dos sinais mais fortes de que a relação ia durar. O reparo importa mais do que a ruptura.
O que faz isso funcionar é a disposição dos dois lados. Um reparo oferecido e recusado machuca. Então, quando seu parceiro estender a mão, mesmo que de um jeito torto, tente aceitar. Você não precisa ter resolvido a questão para baixar a temperatura. São dois trabalhos diferentes.
E assuma sua parte logo, mesmo que seja pequena. Talvez você realmente pense que é dez por cento responsável e o outro, noventa. Diga os dez por cento em voz alta assim mesmo. "Você tem razão, eu fui seco com você" não significa perder toda a discussão. Só mostra que você não está ali para ganhar.
Algumas regras básicas que vale a pena manter
Quando as coisas estão calmas, vale a pena combinar como vocês vão lidar com a próxima briga. Não é um contrato, é só um entendimento compartilhado:
- Um assunto por vez. Não traga o mês passado, ou o ano passado, para dentro da discussão.
- Sem ofensas, sem desprezo, sem tocar naquilo que você sabe que vai machucar.
- Não brigue para ganhar. A outra pessoa não é a adversária. O problema é.
- Escolha o momento. Conversas difíceis raramente vão bem à meia-noite ou de estômago vazio.
- Está tudo bem em fazer uma pausa, desde que você volte.
Nada disso faz as brigas desaparecerem. Elas não vão desaparecer, e nem deveriam. O objetivo é transformar o conflito em algo que vocês fazem *juntos*, duas pessoas encarando um problema, em vez de algo que vocês fazem *um contra o outro*.
Quando é maior do que uma briga justa?
As técnicas de briga justa partem do princípio de que, por baixo do calor do momento, as duas pessoas estão seguras uma com a outra e querem a mesma coisa. Isso vale para a maioria das discussões. Mas não para todas.
Se o conflito na sua relação envolve qualquer forma de abuso físico, sexual ou emocional, controle, ameaças ou medo, essa é uma situação diferente, e o objetivo é a sua segurança, não uma discussão melhor. Isso não é algo para resolver com ajustes de comunicação. Por favor, procure uma linha de apoio para violência doméstica ou um profissional que possa ajudar você a pensar nisso em privado e com segurança.
E se as mesmas brigas continuam se repetindo, se o desprezo já se instalou e não vai embora, ou se vocês dois se sentem mais como colegas de apartamento distantes do que como parceiros, um terapeuta de casais pode ajudar de formas que uma lista de regras não consegue. Ir à terapia não é sinal de que vocês falharam. Muitos casais fortes vão justamente porque querem continuar fortes. Querer ajuda é uma das coisas mais esperançosas que vocês podem fazer um pelo outro.
Fontes
- The Gottman Institute, The Four Horsemen: Criticism, Contempt, Defensiveness, and Stonewalling
- National Center for Biotechnology Information, I understand you feel that way, but I feel this way: the benefits of I-language and communicating perspective during conflict
- American Psychological Association, Strategies for controlling your anger: Keeping anger in check