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CALMA AGORA · NOMEANDO EMOÇÕES

Nomear para domar: por que colocar um sentimento em palavras o acalma

Quando um sentimento está rugindo e você não consegue pensar direito, o menor gesto pode mudar tudo: dar a ele um nome. Dizer "isto é ansiedade" ou "estou furioso agora" abaixa o volume de um jeito mensurável. Veja por que isso funciona, e como usar quando você precisar.

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Mulher de blazer preto sentada à mesa

Foto de LinkedIn Sales Solutions no Unsplash

Existe um momento, bem antes de tudo desabar, em que um sentimento ainda não tem nome. Você só sabe que algo está errado. O peito aperta, o maxilar trava, os pensamentos disparam para algum lugar que você não consegue acompanhar. É grande, é alto e está no controle de você.

Esse estado sem nome é o pior lugar para se estar, e também é o mais comum. Quase ninguém nos ensinou a fazer a coisa mais simples nesse momento: parar e dizer o que o sentimento realmente é. Não para resolver. Não para discutir com ele. Só para nomeá-lo. "Estou ansioso." "Estou magoado." "Isso me deixou com raiva."

Parece simples demais para fazer diferença. Mas se mostra uma das ferramentas mais confiáveis que temos para nos acalmar, e existem exames de imagem cerebral que comprovam isso.

Uma frase com ciência de verdade por trás

A frase "nomear para domar" (name it to tame it) vem do psiquiatra Dan Siegel, que a usou para descrever como a linguagem acalma uma tempestade emocional. Ela pegou porque é verdadeira e fácil de lembrar. Mas a ideia não é só um slogan. Ela se apoia em um conjunto de pesquisas com um nome clínico: rotulação afetiva.

Rotulação afetiva significa simplesmente colocar sua experiência emocional em palavras. Em voz alta, no papel, ou baixinho na sua cabeça, dizendo, com clareza, o que você sente.

Em 2007, uma equipe da UCLA liderada pelo neurocientista Matthew Lieberman colocou pessoas em um aparelho de ressonância magnética e mostrou fotos de rostos contorcidos de raiva ou medo. Em uma condição, as pessoas apenas olhavam. Em outra, escolhiam uma palavra para a emoção no rosto, como "com raiva" ou "com medo". Quando as pessoas nomeavam o sentimento, a atividade caía na amígdala, a parte pequena e rápida do cérebro que dispara o alarme e inunda você de estresse. Ao mesmo tempo, uma região mais reflexiva atrás da testa, o córtex pré-frontal, se acendia. Lieberman resumiu de forma simples: quando você coloca sentimentos em palavras, parece que está pisando no freio das suas respostas emocionais.

Por que as palavras alcançam a parte de você que está em pânico?

Aqui está o mecanismo, em termos simples.

Seu cérebro tem um sistema rápido e um sistema lento. O sistema rápido é feito para a sobrevivência. Ele reage antes de você ter pensado em qualquer coisa. É a parte que puxa sua mão de uma chapa quente e te inunda de pavor antes mesmo de você saber o porquê. O sistema lento é o deliberado. Ele raciocina, planeja e transforma experiência em linguagem.

Quando um sentimento bate forte, o sistema rápido assume o volante. Nomear o sentimento é como você devolve, discretamente, um pouco desse controle ao sistema lento. O ato de encontrar a palavra certa puxa o seu cérebro pensante para o momento presente, e o seu cérebro pensante, uma vez engajado, abaixa o volume do alarme. Você não está reprimindo nada. Está mobilizando uma parte de si para estabilizar outra.

Essa diferença importa, porque nomear um sentimento não é o mesmo que empurrá-lo para longe.

Quando você engole um sentimento ou finge que ele não existe, ele tende a vazar por outro lado e a durar mais. Nomeá-lo faz algo diferente. Você encara por um instante, dá um nome a ele, e nesse pequeno gesto de reconhecimento ele afrouxa o aperto. Muita gente teme que dizer "estou ansioso" piore a ansiedade, como se dizer uma palavra assustadora em voz alta pudesse concretizá-la. Na prática, costuma funcionar ao contrário.

O que isso não é?

Nomear um sentimento não é distração, e essa diferença acaba sendo importante.

Pesquisadores testaram isso diretamente. Em um estudo com pessoas que tinham medo de aranhas, um grupo foi convidado a se aproximar de uma tarântula viva enquanto descrevia seu medo com palavras diretas, dizendo coisas como "estou ansioso porque essa aranha nojenta pode pular em mim". Outro grupo falava sobre algo sem relação nenhuma, o tipo de desvio mental que costumamos usar quando estamos com medo. Uma semana depois, o grupo que tinha nomeado o medo em voz alta mostrou menos estresse físico ao encarar uma aranha de novo. Quem descreveu o medo com as palavras mais fortes se saiu melhor de todos.

Essa é a parte surpreendente. Chamar a aranha de aterrorizante não deixou as pessoas mais assustadas. Ajudou a se aproximarem. Olhar de frente para um sentimento e dizer o que ele é faz mais por você do que desviar o olhar.

Como fazer isso na prática?

Essa é uma ferramenta para o momento em que algo te atinge, e leva cerca de dez segundos. Você pode fazer em qualquer lugar, e ninguém precisa saber que está fazendo.

  1. Note o corpo primeiro. Antes de conseguir nomear um sentimento, você precisa perceber que ele está ali. O peito apertando, o calor no rosto, a vontade de explodir, fugir ou travar. Esse é o sinal. Quando sentir isso, é a sua deixa para parar e respirar.
  2. Diga o que é, de forma simples. Coloque em uma frase curta e honesta. "Estou ansioso." "Estou me sentindo rejeitado." "Isso é luto." "Estou muito frustrado agora." Em voz alta se puder, na cabeça se não puder.
  3. Busque a palavra mais específica que encontrar. "Ruim" e "chateado" são um começo, mas são vagos. Você está, na verdade, decepcionado? Envergonhado? Sozinho? Sobrecarregado? Ressentido? Quanto mais próxima a palavra, mais ela te acalma. Acertar o nome exato já faz parte do trabalho.
  4. Deixe que seja um sentimento, não um fato. Existe uma diferença sutil, mas real, entre "eu sou um fracasso" e "estou me sentindo um fracasso agora". A primeira é uma sentença. A segunda é como o tempo: desconfortável, e passageira. A frase "estou me sentindo" mantém um pequeno espaço entre você e a emoção, e é nesse espaço que você recupera o chão.
  5. Pare por aí. Você não precisa resolver nada ainda. Nomear já é o movimento completo. Assim que o alarme baixar um pouco, sua cabeça mais clara volta a funcionar, e você pode decidir o próximo passo a partir dali, em vez de decidir no meio da tempestade.

Se você não encontrar a palavra

Às vezes o sentimento é real, mas você não consegue precisá-lo, e isso é normal. Tente uma rede mais ampla. Muita gente acha mais fácil começar com o básico (estou bravo, triste, com medo ou magoado?) e ir afinando a partir daí. Uma lista impressa de palavras para sentimentos, ou uma no celular, pode ajudar mais do que você imagina. O vocabulário é um músculo. Quanto mais você busca a palavra certa, mais rápido ela aparece quando você está tremendo.

Escrever também funciona, às vezes até melhor. Se um sentimento está emaranhado demais para caber em uma frase, dê a si mesmo alguns minutos para escrevê-lo sem se corrigir. O ato de encontrar palavras no papel faz o mesmo trabalho que dizê-las em voz alta, e dá ao sentimento um lugar para onde ir.

Um sentimento é informação, não uma ordem

Existe uma segunda coisa que nomear faz, e ela muda toda a sua relação com emoções difíceis ao longo do tempo.

Quando um sentimento não tem nome, ele tende a soar como uma ordem. A raiva diz para revidar. O medo diz para fugir. A vergonha diz para se esconder. No estado sem nome, você não vive essas coisas como sentimentos. Você vive como se fossem a única realidade possível, e age antes de ter tido a chance de escolher.

No momento em que você nomeia um sentimento, ele deixa de ser uma ordem e passa a ser uma informação. "Estou com raiva" te diz que algo aconteceu e cruzou um limite que importa para você. "Estou ansioso" te diz que uma parte de você percebe uma ameaça, real ou não. "Estou magoado" te diz que algo importava para você. Nenhum desses sentimentos está errado, e nenhum deles está automaticamente certo sobre o que fazer a seguir. São dados sobre o que se passa dentro de você. Uma vez que você consegue lê-los como dados, você decide o que fazer com eles. Às vezes a raiva está apontando para um problema real que vale a pena resolver. Às vezes ela só está funcionando com a energia que sobrou de uma noite mal dormida. Você só consegue perceber a diferença depois de nomear e olhar com atenção.

É também por isso que nomear o mesmo sentimento muitas vezes, ao longo de semanas, tende a te deixar mais firme de modo geral, e não só mais calmo naquele momento. Você vai aprendendo, aos poucos, os seus próprios padrões. Começa a reconhecer aquele tipo específico de pavor que aparece antes de uma conversa difícil, ou a irritação particular que na verdade significa fome, e não uma chateação de verdade. Esse autoconhecimento protege silenciosamente. Quanto melhor você conhece o seu próprio clima interno, menos ele te pega de surpresa.

Nomeando por alguém

A mesma ferramenta funciona na direção contrária, e é uma das coisas mais gentis que você pode fazer por alguém que está passando por um momento difícil.

Quando alguém que você ama está tomado pela emoção, seu instinto costuma ser resolver o problema ou convencer a pessoa a não sentir aquilo. "Não é tão grave assim." "Vai ficar tudo bem." "Olha o lado bom." Raramente isso funciona, porque um cérebro tomado pela emoção não consegue processar argumentos. O que costuma funcionar é simplesmente nomear o que você vê, com gentileza e sem julgamento. "Isso parece realmente frustrante." "Você parece assustado." "Isso é muita coisa agora, né?"

Você está fazendo por essa pessoa o que ela não consegue fazer sozinha naquele momento: entregando a ela a palavra. Quando o nomear vem de uma pessoa calma ao lado, pode trazer o cérebro pensante dela de volta, do mesmo jeito que aconteceria se ela tivesse feito isso sozinha, com o benefício extra de não estar sozinha. Isso é especialmente poderoso com crianças, que muitas vezes sentem antes de ter a linguagem para nomear. Uma criança em crise por causa de um brinquedo quebrado geralmente não consegue dizer "estou sobrecarregada e decepcionada". Um adulto que diz isso por ela, com calma, dá à tempestade uma forma e uma margem.

O segredo é nomear sem corrigir. Você não está dizendo como a pessoa deve se sentir nem tentando convencê-la do contrário. Está apenas deixando claro que o sentimento foi visto, e que ele tem permissão para existir. Só isso já faz uma diferença surpreendente.

Alguns limites honestos

Nomear um sentimento abaixa o volume. Não o desliga. A amígdala se acalma, mas não fica em silêncio, e você ainda vai sentir o sentimento, só que com um pouco mais de espaço para pensar. É esse o objetivo, e vale manter as expectativas realistas quanto a isso. É uma ferramenta para atravessar dez minutos difíceis, não uma cura para o que está por baixo.

Também fica mais fácil com a prática, o que quer dizer que as primeiras vezes podem parecer desajeitadas ou como se nada estivesse acontecendo. Tudo bem. Você está aprendendo uma habilidade, e essa habilidade se acumula com o tempo. Pessoas que nomeiam seus sentimentos regularmente tendem a ficar mais firmes ao longo do tempo, não só mais calmas naquele instante.

E isso tem um limite. Se os seus sentimentos são grandes demais ou constantes demais para que você consiga encontrar palavras para eles, ou se nomear o que é verdade traz pensamentos de não querer mais estar aqui, esse é o momento de trazer outra pessoa para perto. Um terapeuta é, em grande parte, alguém treinado para te ajudar a encontrar palavras para coisas que parecem não ter palavras, e para ficar ao seu lado enquanto você faz isso. Buscar esse tipo de ajuda não é sinal de que essa técnica falhou com você. Algumas tempestades são grandes demais para atravessar com uma única ferramenta, e você nunca precisou atravessá-las sozinho.

Fontes

  1. UCLA Health, Putting Feelings Into Words Produces Therapeutic Effects in the Brain
  2. National Library of Medicine (PMC), Feelings Into Words: Contributions of Language to Exposure Therapy
  3. Association for Psychological Science, Expressing Your Emotions Can Reduce Fear

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