Dicas rápidas
- Tempo dentro vence acertar a hora. Cinco anos a mais costumam ganhar.
- A melhor jogada num dia vermelho é a que você já tinha agendado.
- Aumente o que você acrescenta na semana em que o salário sobe.
Alguém da sua idade acabou de mencionar uma conta de seis dígitos, e você quer uma resposta honesta para uma pergunta simples: a diferença entre essa pessoa e você é talento ou é tempo? Quase sempre é tempo, e essa é a boa notícia, porque o tempo é o único dado que você pode começar a gastar hoje sem saber nada de esperto.
Fala-se de juros compostos como se fossem um truque de mágica. Não são. É uma taxa aplicada a um número, depois aplicada de novo ao número um pouco maior, de novo e de novo. Não há nada escondido nisso, e ninguém ganha por ser inteligente do jeito que as pessoas imaginam. Ganha-se com dois dados chatos e um comportamento difícil, e o comportamento é a parte que quase todo mundo subestima.
O que vem a seguir é aritmética e hábito. Não há nada aqui sobre o que comprar, e os números abaixo são ilustrações redondas escolhidas para o formato ficar visível, não previsões do que qualquer coisa vai fazer.
Como os juros compostos funcionam de verdade, em números simples?
A taxa é aplicada ao saldo inteiro, incluindo o crescimento que já está nele, então a cada ano o crescimento é calculado sobre um número um pouco maior que o do ano anterior. Esse é o mecanismo inteiro, e o motivo de parecer dramático lá na frente é que os primeiros anos estão fazendo um trabalho silencioso que você ainda não enxerga.
Pegue uma ilustração redonda. Coloque 100, a uma taxa inventada de 10 por cento, e depois de um ano você tem 110. No segundo ano os 10 por cento são aplicados sobre 110, não sobre 100, então você ganha 11 em vez de 10. Esse 1 a mais é a ideia inteira. Ele não impressiona no ano dois e é a história toda lá no ano vinte e cinco, porque o saldo sobre o qual a taxa é aplicada não parou de crescer.
A U.S. Securities and Exchange Commission (a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos) mantém uma calculadora de juros compostos gratuita no Investor.gov, e ela vale dez minutos com os seus números em vez dos meus. Digite o que você consegue mesmo acrescentar por mês, escolha uma taxa modesta, depois mexa no número de anos e veja qual controle move mais o total. Esse experimento ensina o ponto mais rápido do que qualquer parágrafo.
Que diferença faz começar cinco anos antes?
Muita, porque os anos do começo são os que têm a pista mais longa pela frente. Ao dinheiro acrescentado cinco anos antes a taxa é aplicada cinco vezes a mais, e, diferente de uma taxa melhor, isso não é algo em que você precise acertar.
Essa é a parte menos intuitiva da aritmética e vale ficar um pouco com ela. As pessoas supõem que o dinheiro importante é o que elas vão acrescentar depois, quando estiverem ganhando mais. A aritmética diz o contrário. Uma quantia modesta acrescentada aos vinte e oito tem trinta anos para receber a taxa trinta vezes. Uma quantia grande acrescentada aos quarenta e oito tem dez. O dinheiro do começo trabalha mais por unidade do que o dinheiro do fim vai trabalhar algum dia. A coisa mais valiosa que você pode fazer a respeito de juros compostos é começar enquanto o valor ainda parece pequeno demais para importar.
É também por isso que o conselho comum de esperar até ter "o suficiente para valer a pena investir" inverte a ordem. Não existe um limite mínimo. Existe só quantas vezes a taxa é aplicada.
Importa mais quanto eu acrescento ou o que eu escolho?
Para a maioria das pessoas, na maioria dos períodos, quanto você acrescenta e por quanto tempo deixa quieto importam mais do que a escolha, porque esses dois dados são os que você controla por inteiro. A taxa é algo que te dão. O aporte é algo que você decide.
Isso não é dizer que as escolhas não importam, e não é conselho sobre o que escolher, coisa que este texto não dá e não tem qualificação para dar. É uma afirmação sobre onde a sua atenção rende. Uma hora gasta em aumentar o que você acrescenta todo mês, ou em deixar uma transferência agendada para o dia seguinte ao pagamento, muda os seus dois dados diretamente. Uma hora gasta lendo opiniões sobre o que vai acontecer depois não muda nada que você controle, e costuma dar vontade de mexer no saldo, que é justamente o movimento que a aritmética castiga.
O próprio roteiro da U.S. Securities and Exchange Commission para poupar e investir começa no mesmo lugar pouco glamouroso: defina seus objetivos, organize suas finanças e trate a poupança pequena como aquilo que se soma até virar muito dinheiro. Chato, e correto.
O que eu faço num dia em que o número cai?
Nada que você já não tenha agendado. A melhor jogada num dia vermelho é a que você decidiu num dia calmo, e o motivo não é disciplina moral: é que a aritmética só funciona sobre o dinheiro que continua na conta.
Toda vez que alguém tira dinheiro porque um número caiu, o relógio dos juros compostos zera para aquele dinheiro. A taxa fica sem nada em que se aplicar. Depois esse dinheiro costuma voltar mais tarde, mais caro, ou seja, a pessoa comprou na alta e vendeu na baixa se sentindo extremamente responsável. Essa distância entre o que a pessoa poderia ter tido e o que ela termina tendo é de comportamento, não de matemática.
Então a defesa prática é tomar a decisão uma vez só, com antecedência, enquanto nada está acontecendo. Escreva quanto você acrescenta, quando acrescenta e o que faria você mudar isso de verdade, que para quase todo mundo é uma mudança na própria vida e não uma mudança no noticiário. Depois marque a revisão numa data, uma vez por mês ou uma vez por trimestre, e não olhe entre as datas. Olhar não é de graça. Cada olhada é um convite para agir, e agir é a parte cara.
Como aumento o que acrescento sem sentir?
Aumente na semana em que o seu salário sobe, antes de os seus gastos terem tempo de ocupar o espaço novo. Um aumento é o único momento do ano em que um aporte maior não custa nada a que você já estivesse acostumado.
Esse é o hábito mais barato do assunto inteiro e leva uns quatro minutos. Quando o salário novo cair, mande uma fatia do aumento, não ele todo, direto para a transferência agendada. Você continua ganhando um aumento. Você continua sentindo ele. Só nunca aprende a gastar a parte que desviou, e a parte que você desviou é a que tem a pista mais longa.
Faça o mesmo com qualquer coisa irregular. Um bônus, uma restituição, um pagamento extra, um mês com três pagamentos. Nada desse dinheiro está nos seus hábitos ainda, o que faz dele o dinheiro mais barato que você vai acrescentar na vida. E mantenha a transferência automática e com data. Uma decisão que você precisa tomar doze vezes por ano é uma decisão que às vezes você vai pular. Uma decisão tomada uma vez é tomada doze vezes.
A parte silenciosa é a parte que paga
Existe uma versão desse assunto que trata tudo como uma competição, onde ganha quem foi mais esperto nos últimos cinco anos. Em vinte anos não é assim que se lê. Em vinte anos quem ganha costuma ser quem continuou acrescentando, manteve o calendário e não mexeu durante os três ou quatro trechos em que mexer parecia urgente e óbvio.
Isso é uma habilidade de compostura, não de finanças, e é a mesma que permite a alguém sustentar um silêncio depois de dizer um número de salário, ou ler um e-mail difícil duas vezes antes de responder. Estar calmo aqui não é passividade. É o mecanismo. A pessoa capaz de deixar o dinheiro quieto por uma década não é menos ambiciosa do que a que confere todo dia. É ela que ainda está posicionada quando isso finalmente importa, e ela ganhou de volta os anos que a outra passou olhando.
Então faça a coisa pequena e agressiva em vez da grande e esperta. Comece antes de parecer significativo. Aumente o que você acrescenta na semana em que o salário sobe. Marque a revisão numa data. Depois vá gastar a sua atenção na parte da sua vida em que ser esperto muda mesmo o resultado, que quase sempre é o quanto você ganha e não a sua taxa.
Fontes
- U.S. Securities and Exchange Commission, Compound Interest Calculator
- U.S. Securities and Exchange Commission, Save and Invest
- Federal Reserve Board, Survey of Household Economics and Decisionmaking