Skip to main content
Doar

NEGÓCIOS · O LONGO PRAZO

Sua primeira contratação são quatro horas por semana, e a primeira chance de alguém

Sua primeira contratação são de quatro a oito horas pagas por semana da tarefa que você faz pior, entregues a alguém para quem isso é uma primeira chance. Pague na data prometida e diga o nome dessa pessoa para quem puder contratá-la depois, porque uma primeira chance compra um cuidado que o dinheiro não compra.

Uma placa de aberto pendurada numa porta de vidro

Photo by Tim Mossholder on Unsplash

Dicas rápidas

  • Escreva a tarefa como um checklist antes de passar adiante.
  • Comece com quatro horas por semana e pague no dia que prometeu.
  • Diga o nome dessa pessoa para alguém que possa contratá-la depois.

Existe uma semana específica que avisa que o negócio está funcionando. Você recusa um trabalho, e não porque não queria. Você recusa porque não dá para embalar pedidos, responder mensagens e fabricar a coisa nos mesmos sete dias. Esse é um bom problema, e ele tem uma solução barata, bem menor do que a palavra contratar faz parecer.

Sua primeira contratação são de quatro a oito horas pagas por semana da única tarefa que você faz pior. Não é salário, não é escritório, não é descrição de cargo. Quatro horas, uma tarefa repetível, escrita como um checklist antes de qualquer pessoa encostar nela.

E aqui está a parte que quase ninguém planeja. Essas quatro horas costumam ser o primeiro trabalho pago de alguém no seu ofício. Você não está só comprando tempo de volta. Você está entregando aquilo de que mais precisou quando começou, que era alguém disposto a deixar você ser novato.

Quando é realmente hora de contratar alguém?

Quando você está recusando trabalho que daria conta de fazer, e não quando você bate um número de faturamento. Trabalho recusado é dinheiro que você já dispensou, e por isso é o único número com o qual dá para comparar o custo da ajuda com honestidade.

Metas de faturamento são um sinal ruim para um negócio de uma pessoa só, porque o número que importa não é o que entrou, é o que você teve que recusar. Anote cada trabalho que você deixou passar no mês passado e quanto ele teria pagado. Se esse valor for maior que um mês de semanas de quatro horas a um preço justo para a sua região, a conta já fecha, e fecha faz tempo.

Depois escolha a tarefa, e é aqui que as pessoas erram. Elas passam adiante a tarefa de que menos gostam. Passe adiante aquela que você faz pior e com mais frequência, que quase sempre é outra. Embalar, cadastrar produtos, emitir notas, responder as primeiras mensagens, cortar e lixar, lançar números. Precisa ser repetível, não pode depender do seu gosto, e uma pessoa caprichosa precisa conseguir fazer bem em duas semanas.

Nunca aquilo em que você é melhor. E nunca, nos primeiros seis meses, as conversas de dinheiro com os clientes.

Como passo uma tarefa adiante sem gastar mais tempo do que economizo?

Escreva a tarefa como um checklist antes de contratar qualquer pessoa, e cronometre você mesmo fazendo ela uma vez enquanto escreve. O checklist é a maior parte do trabalho, e vale a pena fazer mesmo que você nunca contrate ninguém.

Você vai descobrir que tinha um método. Todo mundo tem. A ordem em que você faz as coisas, o que você confere duas vezes, o truquezinho com a fita, o motivo de nunca usar a caixa do segundo tamanho: tudo isso mora nas suas mãos e nada disso virou palavra ainda. Colocar em palavras é a primeira vez que você consegue enxergar o próprio processo com clareza suficiente para melhorá-lo.

Isso não é um benefício vago. Pesquisadores da memória descobriram que pessoas que estudam algo esperando ensinar depois organizam melhor o que sabem e lembram mais do que pessoas que estudam para uma prova, e o efeito apareceu mesmo quando o ensino nunca chegou a acontecer. Se preparar para explicar o seu processo é o caminho mais rápido que existe para dominá-lo de verdade.

Deixe o checklist simples. Passos numerados, uma linha cada, uma foto do resultado pronto se o seu ofício pedir. De dez a vinte passos é o normal. Entregue, observe uma vez, e então saia da sala. Volte depois de duas semanas e pergunte o que está errado no checklist, porque três coisas vão estar erradas, e essa pessoa vai conseguir enxergar justamente o que você já não enxerga.

Para quem eu dou essas horas?

Para a pessoa sem histórico e com atenção de verdade, antes da pessoa experiente que está te fazendo um favor. Uma primeira chance compra um cuidado que nenhuma tabela de preço compra, e são as quatro horas mais baratas que você vai pagar na vida.

Procure um sinal só: alguém que quer estar nesse ofício e que ainda não deixaram entrar. A pessoa que te mandou mensagem perguntando como você faz o acabamento. A estudante. O vizinho que faz coisas na mesa da cozinha há um ano e nunca recebeu por nenhuma delas. A pessoa voltando a trabalhar depois de uma pausa longa sobre a qual mais ninguém vai se dar ao trabalho de perguntar.

Duas regras, e nenhuma é negociável. Pague um preço justo para a sua região, e pague na data exata que você prometeu, todas as vezes, sem exceção. Atraso no pagamento é a relação inteira. Quem está no primeiro trabalho pago não tem reserva nem um jeito confortável de ficar te cobrando, e receber no dia combinado é o que diz para essa pessoa que isso aqui é real. Se você não consegue pagar em dia, ainda não consegue pagar essas horas, e essa é uma resposta limpa, não uma resposta triste.

Acerte a papelada também. Se alguém é prestador de serviço ou funcionário não é decidido pelo nome que você dá, e o fisco publica os critérios. Dez minutos lendo agora saem muito mais barato do que descobrir depois.

Além do dinheiro, o que eu estou entregando de verdade?

Quatro coisas: as horas, o checklist, uma referência que essa pessoa possa usar, e a sua disposição de dizer o nome dela para alguém que possa contratá-la em seguida. A quarta te custa uma frase e é a que muda o ano dela.

Tem uma distinção que vale a pena aprender aqui, porque a maioria das pessoas nunca ouviu falar dela. Um mentor conversa com você. Um padrinho diz o seu nome numa sala onde você não está. Conselho é barato e gostoso de dar. Apadrinhar é um gesto pequeno e específico, com a sua própria credibilidade em jogo, e significa dizer para alguém que está atrás de ajuda que essa pessoa é caprichosa e rápida, antes de qualquer um pensar em te perguntar.

Seja concreto. Diga em que ela é boa de verdade, não como é a atitude dela. Ela pegou um erro de tamanho num lote de quarenta que eu teria enviado é uma frase que consegue trabalho para alguém. Ela tem uma ótima atitude não é.

Ensine a parte em que você é bom enquanto ela estiver com você, mesmo que não seja a tarefa para a qual foi contratada. Vinte minutos, uma vez só, sobre como você forma o preço de um trabalho. Essa é a parte que ela não consegue em nenhum outro lugar, e é a parte que ela ainda vai estar usando daqui a dez anos.

O fundador da KEEP CALM diz a versão dele disso sem rodeios: “Sempre em busca de oportunidades para treinar, ensinar, aconselhar, erguer, reconhecer e defender quem está por perto. A energia positiva e o apoio que recebo de volta são 10 vezes maiores”. Esse é o relato dele sobre os próprios vinte anos, não uma promessa sobre os seus. A sua versão são quatro horas por semana e uma frase dita em voz alta para a pessoa certa, e as duas são movimentos comuns de negócio, não favores.

O que costuma voltar

Diga o que é verdade e nada além disso. Quem está no primeiro trabalho pago costuma trazer uma atenção que a ajuda experiente não traz, porque aquilo importa para essa pessoa de um jeito que não importa para quem isso é só mais uma terça-feira. Fora isso, cuidado com o que você espera. Algumas ficam anos e contam por aí onde aprenderam. Outras acabam tocando o próprio negócio e te mandando o que não conseguem pegar. Outras seguem em frente e você nunca mais tem notícia, e você não vai saber quem é quem por muitos anos.

O que dá para contar é menor e bem mais certo. A tarefa saiu da sua mesa. O checklist existe. Você descobriu que tinha um método. Tudo depois disso é ganho que você não pagou.

Aumente as horas devagar, e aumente em resposta a trabalho recusado, que é o mesmo sinal que começou tudo isso. Quatro viram oito, oito viram doze, e em algum ponto você deixa de ser uma pessoa com um negócio e vira um negócio com duas pessoas dentro. Guarde uma coisa para você pelo maior tempo possível: falar de dinheiro com os clientes. Essa continua sua até você ter certeza, e ter certeza demora mais do que você imagina.

E no ano que vem faça de novo, com outra pessoa que ainda não deixaram entrar.

Fontes

Antes de ir, uma palavra sobre cuidado

A KEEP CALM oferece ferramentas educativas e gratuitas de autoajuda. Isto não é orientação médica, diagnóstico ou terapia, e não substitui o atendimento profissional. Se algo aqui ressoar como mais do que o estresse do dia a dia, procurar um profissional é um passo forte e sensato.

If you are in crisis or thinking about harming yourself, you are not alone. In the US, call or text 988 (Suicide & Crisis Lifeline, 24/7), text HOME to 741741 (Crisis Text Line), or call 911 in an emergency.