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Doar

NEGÓCIOS · PREÇOS

Quanto cobrar quando foi você que fez

Faça o preço com os seus próprios números, não com o seu nervosismo: materiais, as suas horas a um valor que você aceitaria de um desconhecido, e a fatia dos custos fixos que cabe a esta peça. Depois arredonde para cima. Se o número dá um aperto no estômago, quase sempre ele está perto de estar certo.

Uma pessoa sentada a uma mesa com uma caneta e um notebook

Foto de Kelly Sikkema no Unsplash

Dicas rápidas

  • Anote o custo dos materiais até a última linha.
  • Pague a si mesmo um valor que aceitaria de um desconhecido.
  • Arredonde para cima e deixe o número quieto por uma semana.

Você fez a coisa e ela ficou boa. Você sabe que ficou, porque fez três versões e jogou duas fora, e a que está na mesa na sua frente é a que sobreviveu. O que falta é um número, e esse número já foi digitado e apagado cinco vezes esta noite.

Aqui vai a parte que ninguém fala em voz alta. Colocar preço não é um teste de quanto você acredita em si mesmo. É aritmética, feita uma vez só, em uns vinte minutos, com uma folha de papel e os números reais da sua própria conta bancária. Quando a conta termina, você tem um preço que consegue dizer em voz alta sem a voz mudar, porque consegue explicar cada parte dele. Um preço que você consegue defender é um preço que você para de rediscutir consigo mesmo, e quem parou de rediscutir o próprio preço ganhou aquela hora inteira de volta para fazer a próxima coisa.

Como eu calculo quanto cobrar por uma coisa que eu mesmo fiz?

Some três coisas e arredonde para cima: materiais, as suas horas a um valor que você aceitaria de um desconhecido, e a fatia dos seus custos fixos que cabe a esta peça. Faça no papel, com números reais, e não de cabeça, porque a versão que fica na cabeça sempre deixa alguma coisa de fora.

Feito uma vez, para um objeto. Um vaso de cerâmica: onze dólares de argila, esmalte e queima. Duas horas de trabalho a trinta dólares a hora. Depois, uns seis dólares do aluguel do ateliê no mês, da luz do forno, da embalagem e das taxas de anúncio, divididos entre as vinte peças que você de fato vai vender. Onze mais sessenta mais seis dá setenta e sete. Arredonde para oitenta e cinco.

Feito de novo, para uma hora de trabalho. Pegue a renda anual que você quer e divida pelas horas que você consegue realmente cobrar, que nunca são quarenta por semana e costumam ficar mais perto da metade disso depois que você conta orçamentos, burocracia e o trabalho que ninguém paga. Some os seus custos fixos: software, seguro, equipamento, o contador. E some o imposto, que é o dado que as pessoas deixam de fora por completo.

Dois números, vinte minutos, e o campo do preço não está mais vazio.

Que valor por hora eu devo pagar a mim mesmo?

Use o valor que você aceitaria de um desconhecido que quisesse te contratar amanhã, não o valor que você daria para um amigo. Depois compare com o que trabalhar por conta própria custa de verdade, porque a sua hora não é o mesmo produto que a hora de quem é empregado.

O erro mais comum é se comparar em silêncio com um salário. Uma hora assalariada vem com férias pagas, com o software dos outros, com um empregador cobrindo metade dos encargos e com um pagamento que cai tendo trabalho ou não. A sua não vem com nada disso. Nos Estados Unidos, a alíquota do imposto sobre trabalho autônomo é de 15.3 por cento, formada por 12.4 por cento para o Social Security (a previdência americana) e 2.9 por cento para o Medicare, e ela vem por cima do imposto de renda. Seja qual for o número que você ia escrever, só isso já é motivo para achar que ele ficou baixo demais.

O teste do desconhecido funciona porque tira a pergunta do campo dos seus sentimentos e leva para o campo das evidências. Você já sabe mais ou menos quanto pagaria a uma pessoa com a sua habilidade para fazer isso por você. Pague isso a si mesmo. Se dizer em voz alta é desconfortável, isso não é um sinal sobre o preço, é um problema de fala, e se resolve dizendo o número algumas vezes antes de alguém perguntar.

Quais custos as pessoas esquecem de colocar no preço?

Os pequenos que se repetem, sempre: as taxas da plataforma e do pagamento, o material de envio, a assinatura do software, o pedido que dá errado, e a hora de burocracia que cada venda leva embora caladinha. Nenhum deles aparece na peça que está na sua frente, e é exatamente por isso que eles acabam saindo do seu próprio pagamento.

Anote tudo durante um mês real, em vez de estimar no olho.

  • Taxas de plataforma e processamento de pagamento em cada venda.
  • Caixas, fita, papel de seda, etiquetas e a viagem para postar.
  • Software, hospedagem e as ferramentas que você esqueceu que ainda cobram.
  • A peça em cada dez que chega quebrada e precisa ser reposta.
  • A hora por pedido gasta em mensagens, embalagem e atualizações.

Depois divida esse total mensal pelo número de peças que você vende por mês e some o resultado a cada preço. Essa é a diferença entre um negócio que vive ocupado e um negócio que paga você.

Qual é o número embaixo do número?

Escreva um piso embaixo do seu preço, com antecedência, e não desça dele. O piso são os materiais mais os custos fixos mais o menor valor por hora pelo qual você ainda trabalharia contente, e a função dele é transformar toda conversa de desconto numa decisão de dois segundos em vez de uma de dois dias.

O aperto no estômago não é um sinal de que o preço está errado. É um sinal de que é você quem tem que dizer isso em voz alta. Um número que você já conferiu duas vezes e que mesmo assim te faz hesitar geralmente está na vizinhança certa, porque você é a única pessoa que sabe o quanto o trabalho pareceu fácil, e essa facilidade é invisível para todo mundo e não tem nada a ver com o que a coisa vale.

Defina o preço. Depois deixe ele quieto por uma semana e deixe pessoas reais reagirem a ele, e não os seus nervos. Mudar um preço por causa de evidência é estratégia. Mudar às onze da noite porque ninguém comprou nada em dois dias é o imposto que a pressão descontrolada cobra do bom trabalho, e é o hábito mais caro deste artigo inteiro.

O que eu digo quando alguém pede desconto?

Uma frase, e ela nomeia o que você pode mudar em vez do preço. "Não consigo baixar disso, mas posso fazer sem a costura à mão por cento e quarenta, ou posso segurar esta peça para você até o dia quinze."

Você não é obrigado a explicar os seus custos, justificar as suas horas ou pedir desculpa pelo número. Um desconto dado rápido ensina o próximo cliente a pedir e ensina você a ficar com raiva do pedido. Oferecer uma versão menor, um prazo maior ou um pagamento dividido mantém o preço intacto e ainda dá à pessoa um caminho real até o sim.

Se a pessoa for embora, tudo bem. Quem só queria pela metade não é um cliente que você perdeu, é um cliente que você nunca teve, e as horas que você não gastou trabalhando abaixo do seu piso são horas livres para quem paga o valor inteiro.

Conte o seu número real para a próxima pessoa

Tem um movimento que não te custa nada e muda o mercado em que você está pisando. Quando alguém mais novo perguntar como você chegou ao preço de uma coisa, dê os números de verdade. Não o método, não "depende", não uma faixa tão larga que não diz nada. A argila foi onze dólares, as horas foram duas, o valor foi trinta, o preço é oitenta e cinco.

Cobrar pouco sobrevive quase inteiramente do silêncio. Ninguém diz em voz alta o que cobra de verdade, então todo mundo acha que é o caro da história e vai baixando caladinho, e uma categoria inteira se convence sozinha a trabalhar de graça. Uma pessoa respondendo com honestidade quebra isso para todo mundo a quem ela conta, e essas pessoas contam para outras. Informação é a única coisa aqui que você pode entregar sem perder um único cliente, e quem recebe lembra de quem contou.

Então faça a conta hoje à noite. Escreva o preço, escreva o piso embaixo dele, e diga os dois em voz alta até ficarem sem graça. Depois vá lá e cobre, e coloque a hora que você teria passado duvidando na próxima coisa que você fizer.

Fontes

Antes de ir, uma palavra sobre cuidado

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