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Doar

NEGOCIAÇÃO · O PEDIDO

Diga o número, depois pare de falar

Diga o seu número como uma frase completa e pare. O silêncio que vem depois não é recusa, é o outro lado fazendo contas, e a maioria das pessoas se rebaixa sozinha nos quatro segundos seguintes ao pedido.

Um homem e uma mulher sentados a uma mesa com um laptop

Photo by Lyubomyr Reverchuk on Unsplash

Dicas rápidas

  • Diga o valor como uma frase inteira e feche a boca.
  • Conte quatro segundos antes de dizer qualquer outra coisa.
  • Nunca emende o seu número com a palavra "mas".

Você já fez o trabalho. Sabe mais ou menos quanto a vaga paga, sabe o que entregou neste ano e tem em mente um número um pouco acima daquele que aceitaria calado. Isso é quase tudo, e é justamente a parte a que a maioria das pessoas nunca chega. O que falta leva uns quatro segundos. Alguém pergunta quanto você quer, você diz um número, e aí abre um vão na conversa. Uma parte surpreendente do resultado mora dentro desse vão.

Isso é uma habilidade, não um traço de personalidade, e essa é uma boa notícia, porque habilidade se treina e personalidade quase não muda. Gente quieta costuma ser ótima nisso. Já praticou dizer uma frase limpa e não dizer a seguinte.

O que eu digo exatamente quando perguntam quanto eu quero?

Diga uma frase completa com o número dentro dela e pare. "Estou buscando cento e dez mil" é a linha inteira, e quase tudo o que as pessoas acrescentam depois custa dinheiro.

Três hábitos vazam valor nessa frase, e dá para corrigir os três ainda esta semana. O primeiro é a faixa. Se você diz de noventa e cinco a cento e cinco, você ofereceu cento e cinco e a outra pessoa ouviu noventa e cinco, ou seja, uma faixa é um número mais baixo fantasiado. O segundo é o preâmbulo: "eu sei que o orçamento está apertado, e claro que eu sou flexível, mas eu meio que esperava". Quando o número enfim chega, já foi rebaixado três vezes pela própria pessoa que quer rebaixá-lo. O terceiro é o "mas" no fim. O que vem depois de "mas" é uma concessão que ninguém pediu.

Então use a gramática simples de um fato. Não é um pedido, não é uma esperança, é um número. A pesquisa sobre primeiras ofertas é consistente sobre por que isso importa: em vários experimentos, o lado que colocou um número na mesa primeiro costumava terminar em melhor situação, e esse primeiro número previa com força onde o acordo ia parar.

Quanto tempo eu fico calado depois de dizer o meu número?

Quatro segundos é um bom mínimo, e se dá para ver que a outra pessoa está pensando, continue esperando. O silêncio não é recusa e também não é queda de braço. Silêncio não é jogada de poder, é conta sendo feita.

Quase ninguém sente a diferença entre dois segundos e oito, e é por isso que contar ajuda. Conte quatro tempos lentos. Se nada acontecer, conte mais quatro. O que você está evitando é o reflexo de salvar o momento, porque quem preenche um silêncio quase sempre preenche com uma concessão, e quase sempre é quem falou por último.

Pesquisadores do MIT Sloan analisaram negociações gravadas e descobriram que pausas silenciosas de pelo menos três segundos costumavam aparecer logo antes dos avanços e, o que é ainda mais útil, que o silêncio deixava os dois lados em melhor situação em vez de simplesmente intimidar um deles. O silêncio interrompe a ideia de que o ganho de um tem que ser a perda do outro. Esse é o argumento honesto a favor da pausa, e ele é mais forte que a versão tática, porque você pode usar com alguém com quem ainda vai trabalhar na segunda-feira.

E se me contestarem antes de eu terminar?

Deixe a pessoa terminar a frase e então diga o seu número uma segunda vez, exatamente com a voz que você usou na primeira. Mesmo volume, mesmo ritmo, nenhuma palavra nova.

A repetição faz uma coisa que um argumento novo não faz. Um número dito uma vez pode ser testado. Um número dito duas vezes, com calma, sem irritação e sem uma justificativa nova grampeada nele, soa resolvido, e as pessoas param de empurrar o que já está resolvido. Se você muda a voz, avisou que o número se mexeu, mesmo que os dígitos continuem os mesmos.

Se perguntarem por quê, dê um motivo só, ancorado no trabalho, e pare de novo. "É onde o mercado está para esse escopo" já basta. Não empilhe três motivos. Pilha soa como alguém se convencendo, e o motivo mais fraco da pilha é justamente o que vão contestar.

Como eu evito rebaixar o meu próprio número?

Escreva a frase antes de entrar e deixe onde você consiga ver. Ler uma linha que você já decidiu é muito mais fácil do que montar uma enquanto o coração acelera.

Depois dê uma tarefa para as suas mãos e para a sua boca. Deixe um caderno aberto e escreva no segundo em que terminar de falar, porque escrever é um motivo legítimo para ficar em silêncio e parece competência, não uma disputa de olhares. Numa chamada, o mudo é seu amigo por exatamente quatro segundos.

Fique de olho nas duas palavras que desfazem o trabalho: "mas" e "só". "Mas eu sou flexível" devolve tudo o que você estava segurando. "Eu só estava querendo saber" transforma um pedido em acidente. Tire as duas no papel, onde saem baratas, e não da sua boca, onde não saem.

Quais três números eu decido antes de entrar?

Três: o pedido de abertura que você fala em voz alta, a meta que você assinaria hoje e o limite de saída que você recusa com gentileza. Decida os três numa tarde tranquila, por escrito, e nunca invente um deles ao vivo.

O pedido de abertura fica acima da meta de propósito, porque o número dito primeiro define o teto e tudo o que vem depois anda numa direção só. A meta é a honesta, o número que faria você dizer sim sem pensar duas vezes. O limite de saída protege os outros dois, porque um número que você já decidiu recusar é muito mais fácil de recusar na sala.

As pessoas cedem por um motivo mais do que por qualquer outro. Nunca decidiram antes, então acabam fazendo conta e cuidando das emoções ao mesmo tempo, na frente de plateia, com o relógio correndo. Três números num pedaço de papel tiram metade dessa carga. Imprima, deixe a folha virada para baixo ao lado do laptop e vire quando precisar.

Os quatro segundos se treinam, não vêm de berço

Um corpo que fica firme sob pressão é construído, e essa construção acontece longe da reunião. Quem já segurou uma série pesada por uma repetição a mais do que era confortável já treinou manter a compostura com o coração acelerado, que é exatamente o que esses quatro segundos pedem de você. Isso não é um desvio para o assunto bem-estar. É por isso que quem treinou na terça tem a voz mais firme na quarta.

Vale lembrar como essa conversa é comum e corriqueira. O Pew Research Center descobriu que, entre as pessoas que largaram um emprego em 2021 e foram para outro, 56% passaram a ganhar mais. O dinheiro se move quando as pessoas pedem, e pedir é parte normal da vida de trabalho, não um ato de coragem.

O fundador da KEEP CALM, Kaʻohele Carlos, é Chief Design Officer e correu atrás a carreira inteira, sempre achando um jeito de manter a calma no meio disso. As duas coisas andaram lado a lado o tempo todo, e essa é a única razão pela qual vale a pena passar isso adiante: os quatro segundos não são uma técnica para querer menos. São uma técnica para pedir mais e continuar na sala, e no setor, daqui a vinte anos.

Peça o número que você realmente quer. Diga como uma frase. Depois deixe quatro segundos passarem e deixe o outro falar primeiro.

Fontes

Antes de ir, uma palavra sobre cuidado

A KEEP CALM oferece ferramentas educativas e gratuitas de autoajuda. Isto não é orientação médica, diagnóstico ou terapia, e não substitui o atendimento profissional. Se algo aqui ressoar como mais do que o estresse do dia a dia, procurar um profissional é um passo forte e sensato.

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