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TEMPOS DIFÍCEIS · BUSCAR AJUDA

Quando buscar ajuda profissional

O momento de buscar ajuda profissional é quando os sintomas começam a atrapalhar sua rotina, não só quando ficam insuportáveis. A maioria de nós espera demais, se convence de que não precisa, ou acha que só merece apoio quando está em crise total. Veja aqui como perceber que chegou a hora de pedir ajuda, para quem ligar primeiro e o que dizer quando fizer isso.

Ferramentas gratuitas e baseadas em evidências para estresse, sobrecarga, relacionamentos, saúde e uma liderança firme. Um programa da KEEP CALM Inc., uma organização sem fins lucrativos. 501(c)(3) · EIN 33-2117386 Sobre

Silhueta de plantas durante o pôr do sol

Foto de mugi jo no Unsplash

Se você está em crise ou pensando em se machucar, você não está sozinho. Nos EUA, ligue ou mande mensagem para 988 (Suicide & Crisis Lifeline, 24/7), mande HOME para 741741 (Crisis Text Line), ou ligue para 911 em uma emergência. Em qualquer lugar do mundo, o findahelpline.com lista linhas de apoio gratuitas e confidenciais no seu próprio país e no seu próprio idioma. Se você estiver em perigo imediato, ligue para o número de emergência da sua região.

Quase ninguém acorda um dia com a certeza de que precisa de ajuda. É mais devagar do que isso. Você diz a si mesmo que está só cansado. Que vai melhorar depois do fim de semana, depois do prazo, depois que a estação mudar. Você continua dando conta, na maior parte do tempo, e esse dar conta vira a prova de que está tudo bem. Enquanto isso, os dias vão ficando um pouco mais pesados e um pouco mais estreitos, e aquela versão sua que ria fácil vai parecendo cada vez mais distante.

A parte mais difícil de pedir ajuda quase nunca é a consulta em si. É a pergunta que vem antes dela. Será que está ruim o suficiente? Será que estou exagerando? Será que eu estaria só ocupando o lugar de alguém que realmente precisa?

Vamos levar essa pergunta a sério, porque ela merece uma resposta de verdade, não só um discurso motivacional.

Você não precisa estar em crise para merecer ajuda

Existe um mito silencioso de que ajuda profissional é coisa para emergência. De que você só procura alguém quando chega ao fundo do poço, e até lá o esperado é dar conta sozinho. Esse mito faz muita gente sofrer mais tempo do que precisaria.

Pense em como você cuida do corpo. Você não espera um osso quebrar para ir ao médico com um joelho que dói há um mês. Você vai porque isso está atrapalhando sua vida, e porque identificar cedo geralmente torna as coisas mais fáceis de resolver. Com a saúde mental é a mesma coisa. O National Institute of Mental Health é direto sobre isso: procure ajuda quando os sintomas estiverem atrapalhando o seu dia a dia, não só quando já estiverem insuportáveis. Quanto antes, melhor, porque quanto mais tempo algo fica sem cuidado, mais fundo ele se enraíza.

Então a pergunta real não é "o quanto isso está ruim em alguma escala imaginária". É mais simples e mais honesta: isso está atrapalhando a minha vida, e tentar dar conta sozinho parou de funcionar? Se a resposta for sim, isso já é motivo suficiente. Você não precisa de uma história mais dramática.

Sinais de que já é hora, não de que "talvez um dia"

Não existe um teste único, e você não precisa se encaixar em todos os sinais de uma lista. Mas alguns padrões costumam indicar que vale a pena conversar com alguém. Uma regra prática que aparece tanto no NIMH quanto no NHS: quando sentimentos difíceis duram cerca de duas semanas ou mais e afetam o seu dia a dia, essa é a linha em que só o autocuidado, sozinho, costuma não ser suficiente.

Fique atento especialmente a estes sinais:

  • O sentimento não passa. Tristeza, apreensão, dormência ou desesperança que persistem quase todos os dias por duas semanas ou mais, não importa o que você tente.
  • O básico da sua vida mudou. Você dorme demais ou quase nada, come muito mais ou muito menos, e se sente sem energia mesmo depois de descansar.
  • As coisas que você costuma fazer estão escapando das suas mãos. Trabalho, escola, tarefas do dia a dia ou relacionamentos estão sofrendo porque você não consegue se concentrar, não consegue começar, não consegue acompanhar o ritmo.
  • Você se afastou das pessoas e das coisas de que gostava, e esse afastamento continua se espalhando.
  • Você está recorrendo cada vez mais a álcool, outras substâncias, comida ou qualquer coisa para aliviar a tensão e conseguir atravessar o dia.
  • Suas reações parecem desproporcionais para você mesmo: perder a paciência por qualquer coisinha, um pânico que surge do nada, uma preocupação constante que você não consegue desligar.
  • Pessoas que te conhecem bem já disseram, com cuidado, que estão preocupadas. Às vezes os outros percebem a mudança antes de nós mesmos nos permitirmos ver.

Tem mais um sinal, e esse anula todos os outros. Se você está tendo pensamentos de se machucar, ou pensamentos de que as pessoas ao seu redor estariam melhor sem você, essa não é uma situação de esperar para ver. É uma situação de pedir ajuda agora, e existe ajuda disponível neste minuto. Você não precisa ter certeza de nada. Só precisa contar para uma pessoa, ou fazer uma ligação.

As histórias que contamos para nós mesmos para evitar pedir ajuda

Os motivos que as pessoas dão para não pedir ajuda são impressionantemente parecidos, e a maioria deles não resiste quando você olha de perto.

*Tem gente pior que eu.* Provavelmente é verdade, e não tem nada a ver com a questão. Dor não é uma competição com um único vencedor que ganha o direito de ser ajudado. A perna quebrada de outra pessoa não faz a sua febre desaparecer.

*Eu deveria conseguir resolver isso sozinho.* Você resolve muita coisa sozinho, sim. Mas isso, especificamente, é algo que os seres humanos sempre precisaram de ajuda para atravessar. Pedir ajuda não é falta de força. É a mesma lógica de chamar um eletricista em vez de mexer na fiação da casa assistindo a um vídeo no YouTube.

*Conversar não vai mudar os meus problemas de verdade.* Às vezes os problemas são reais e vêm de fora, dinheiro, um emprego, um pai ou uma mãe doente, um casamento se desfazendo. Um bom profissional não vai fingir que isso não existe. Ele te ajuda a carregar esse peso sem ser esmagado por ele, e a pensar com mais clareza sobre o que dá e o que não dá para mudar.

*É caro demais, ou eu não vou achar ninguém.* Esse é um obstáculo real, não só uma desculpa, e não vamos fingir que não existe. Mas as opções são mais amplas do que a maioria imagina, e a primeira ligação, mais abaixo, costuma ser gratuita.

Para quem você deveria ligar primeiro, na prática?

O labirinto de profissionais e serviços é um obstáculo à parte. Muita gente trava não porque não quer ajuda, mas porque não sabe em qual porta bater. Aqui vai um mapa simples.

Comece pelo seu médico de família ou clínico geral

Se você tem um médico de confiança, esse é um ótimo primeiro passo, e pouco usado. O NIMH sugere justamente começar por aí. Seu médico pode descartar causas físicas (problemas de tireoide e outras condições podem imitar depressão e ansiedade), conversar sobre o que você está sentindo, e te encaminhar para o especialista certo. Uma parte surpreendente das consultas de rotina já envolve saúde mental, então você não vai ser a exceção estranha na sala. Vai ser só mais uma terça-feira comum.

Terapeutas e psicólogos

Isso é a terapia de conversa, o trabalho constante de se encontrar regularmente com alguém preparado para te ajudar a entender o que está acontecendo e construir caminhos para lidar com isso. Os títulos variam, psicólogo, terapeuta licenciado, assistente social clínico, terapeuta de casais e família, e as siglas depois do nome importam menos do que a conexão. Uma boa sintonia com alguém em quem você confia diz mais do que qualquer credencial específica.

Psiquiatras

Psiquiatras são médicos que podem prescrever e acompanhar o uso de medicação. Se a sua situação pedir remédio, essa é a pessoa certa, e muitas vezes ela trabalha lado a lado com um terapeuta, não no lugar dele. Muita gente acompanha os dois ao mesmo tempo: um para conversar, outro para a parte médica.

Uma linha de crise ou de apoio, a qualquer hora

Você não precisa estar em uma situação extrema para ligar para uma linha de crise. Nos Estados Unidos, a 988 Suicide and Crisis Lifeline recebe ligações, mensagens de texto e chats 24 horas por dia, para qualquer tipo de sofrimento emocional, não só pensamentos de suicídio. É gratuita e confidencial, e quem atende é treinado exatamente para a conversa que você está temendo ter. Se marcar uma consulta agora parece complicado demais, isso pode ser o primeiro passo.

O que dizer quando você finalmente for?

O pânico de dar branco é real. Você consegue a consulta e, na hora, não lembra mais o que estava errado. Então leve anotações. Antes de ir, escreva algumas coisas: o que você tem sentido, mais ou menos quando começou, e como isso aparece na sua vida comum (sono, trabalho, apetite, as pessoas que você ama). O NHS sugere exatamente isso, e essa simples anotação transforma dez minutos de trava em dez minutos úteis.

Você não precisa das palavras certas nem de um diagnóstico redondinho. "Não me sinto eu mesmo há uns dois meses e não sei por quê" é uma frase de abertura perfeita. "Não estou dando conta e preciso de ajuda" também é. Aqui, a honestidade vale mais do que a eloquência.

E se a primeira pessoa não for a certa, isso é uma informação, não um beco sem saída. Um terapeuta com quem você não teve química, um médico que pareceu apressado, um remédio que não fez efeito, nada disso significa que ajuda não vai funcionar para você. Significa que aquela combinação específica não deu certo. Muita gente tenta mais de uma vez até encontrar o que encaixa. Isso é normal, e vale a pena tentar de novo.

Como é, na prática, uma primeira consulta?

Boa parte do medo é medo do desconhecido, então ajuda saber mais ou menos o que acontece. Uma primeira sessão é, na maior parte, conversa. O profissional faz perguntas sobre como você tem se sentido, o que mudou, quando começou, e o que está acontecendo na sua vida agora. Ele não está ali para te julgar nem para resolver tudo em uma hora. Está ali para conhecer a sua situação e poder ajudar de verdade.

Você continua no controle o tempo todo. Pode dizer "ainda não estou pronto para falar sobre isso", e um bom profissional vai respeitar. Você também pode fazer perguntas: Como funciona isso? Quanto tempo pode levar? Quais são as minhas opções? Ninguém vai te prender a nada. Na maioria das vezes você sai com um pequeno próximo passo e um pouco mais de clareza do que quando entrou. Essa já é a vitória. Não uma cura no primeiro dia, só uma direção.

E se o dinheiro ou o acesso forem a barreira?

Para muita gente o obstáculo não é a vontade. É o custo, uma fila de espera longa, a falta de plano de saúde, ou morar em um lugar com poucos profissionais por perto. Isso é real, e não se resolve só se esforçando mais. Algumas portas honestas que vale a pena conhecer:

  1. Um médico de família muitas vezes pode começar um tratamento básico e te encaminhar, e essa consulta costuma ser coberta mesmo quando outros cuidados não são.
  2. Se você tem plano de saúde, o número atrás do cartão pode te dar uma lista de terapeutas cobertos, e alguns planos já cobrem sessões virtuais, o que amplia bastante as opções se há poucos profissionais na sua região.
  3. Centros comunitários de saúde mental e muitas clínicas cobram valores proporcionais ao que você pode pagar. Clínicas-escola de universidades costumam cobrar pouco e são supervisionadas por profissionais experientes.
  4. Linhas de crise e de apoio (como a 988) são gratuitas, e também podem indicar recursos locais de baixo custo, não servem só para os piores momentos.

Nada disso torna um sistema falho indolor. Mas a distância entre "eu não posso pagar por ajuda" e "existe uma porta que eu ainda não tentei" é maior do que parece quando você está no meio de uma semana difícil.

Um jeito mais gentil de olhar para tudo isso

O autocuidado tem, sim, o seu lugar. As caminhadas, a respiração, o sono, as pessoas que te amam, tudo isso ajuda de verdade, e importa. Mas essas coisas existem para apoiar o cuidado, não para substituí-lo quando algo cresce além do que elas conseguem segurar. Não existe fracasso em chegar ao limite do que você consegue fazer sozinho. É exatamente nesse limite que as outras pessoas entram.

Se você chegou até aqui se perguntando, baixinho, se isso é sobre você, deixe essa pergunta ser suficiente. Você não precisa ter certeza. Não precisa ter um nome para o que sente. Querer que as coisas sejam diferentes já é motivo suficiente para pedir ajuda. A ligação mais difícil é quase sempre a primeira, e depois dela fica mais fácil.

Fontes

  1. National Institute of Mental Health, My Mental Health: Do I Need Help?
  2. National Institute of Mental Health, Caring for Your Mental Health
  3. SAMHSA, Mental Health, Drug and Alcohol: Signs You Need To Seek Help
  4. NHS, Mental health

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Antes de ir, uma palavra sobre cuidado

A KEEP CALM oferece ferramentas educativas e gratuitas de autoajuda. Isto não é orientação médica, diagnóstico ou terapia, e não substitui o atendimento profissional. Se algo aqui ressoar como mais do que o estresse do dia a dia, procurar um profissional é um passo forte e sensato.

Se você está em crise ou pensando em se machucar, você não está sozinho. Nos EUA, ligue ou mande mensagem para 988 (Suicide & Crisis Lifeline, 24/7), mande HOME para 741741 (Crisis Text Line), ou ligue para 911 em uma emergência. Em qualquer lugar do mundo, o findahelpline.com lista linhas de apoio gratuitas e confidenciais no seu próprio país e no seu próprio idioma. Se você estiver em perigo imediato, ligue para o número de emergência da sua região.